MedEvo Simulado — Prova 2026
Bernardo, um lactente de 45 dias de vida, é levado à consulta pediátrica devido ao aparecimento de manchas avermelhadas, de formato circular e bordas bem definidas, localizadas principalmente na face, no couro cabeludo e na região periorbitária, conferindo um aspecto de 'olhos de guaxinim'. A mãe relata que as lesões surgiram após a primeira exposição solar mais prolongada. Durante o exame físico, além das lesões cutâneas, o pediatra nota que o lactente apresenta uma frequência cardíaca persistente de 62 batimentos por minuto, sem outros sinais de desconforto respiratório ou instabilidade hemodinâmica. A mãe é previamente hígida, sem diagnósticos de doenças crônicas até o momento. Diante do quadro clínico apresentado, a principal hipótese diagnóstica é:
Lesões anulares + 'olhos de guaxinim' + bradicardia no lactente → Lúpus Eritematoso Neonatal.
O lúpus neonatal decorre da passagem transplacentária de anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, manifestando-se com lesões cutâneas fotossensíveis e risco de bloqueio atrioventricular total congênito.
O Lúpus Eritematoso Neonatal (LEN) é uma síndrome rara de autoimunidade passiva. O quadro clínico clássico envolve lesões eritematosas anulares ou policíclicas, frequentemente com descamação fina, localizadas em áreas expostas ao sol, especialmente na face (região periorbitária). A bradicardia persistente em um lactente com essas lesões deve alertar imediatamente para o bloqueio cardíaco congênito. O diagnóstico é confirmado pela presença de anticorpos anti-Ro/SSA ou anti-La/SSB no soro do lactente ou da mãe. Enquanto as manifestações cutâneas, hematológicas e hepáticas são autolimitadas, o dano ao sistema de condução cardíaco é permanente e pode ser detectado ainda no período intrauterino. O manejo exige acompanhamento multidisciplinar entre pediatria, cardiologia pediátrica e dermatologia.
A complicação mais grave e permanente é o bloqueio atrioventricular total (BAVT) congênito, que ocorre devido à fibrose do nó atrioventricular mediada por anticorpos maternos. Diferente das lesões cutâneas, o BAVT é irreversível e frequentemente requer marcapasso.
A patogênese envolve a transferência transplacentária de anticorpos IgG maternos, especificamente o anti-Ro/SSA e o anti-La/SSB. É importante notar que a mãe pode ser assintomática no momento do diagnóstico do lactente, descobrindo sua própria autoimunidade a partir do quadro do filho.
As lesões cutâneas são tipicamente transitórias, surgindo nas primeiras semanas de vida (muitas vezes após exposição solar) e desaparecendo espontaneamente em torno dos 6 a 9 meses de idade, coincidindo com o clareamento dos anticorpos maternos da circulação do bebê.
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