INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma mulher de 35 anos de idade, tabagista, assintomática, retorna à Unidade Básica de Saúde para apresentar exame citopatológico de colo uterino. O resultado indica lesão intraepitelial escamosa de baixo grau. Considerando que, na maioria das vezes, a infecção é pelo HPV, concluise corretamente que se trata de infecção:
LSIL em mulheres ≥ 25 anos → Repetir citologia em 6 meses (Diretrizes MS/INCA).
A lesão de baixo grau (LSIL) reflete a infecção viral pelo HPV e apresenta altas taxas de regressão espontânea, justificando a conduta conservadora inicial.
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil segue as recomendações do Ministério da Saúde e do INCA. O achado de LSIL (Low-grade Squamous Intraepithelial Lesion) é extremamente comum e está fortemente associado à presença do HPV, mas não significa necessariamente uma lesão pré-cancerosa estável. A fisiopatologia da infecção pelo HPV mostra que a maioria das mulheres eliminará o vírus espontaneamente em até 24 meses. Portanto, a conduta de repetir a citologia em 6 meses para mulheres acima de 25 anos visa identificar aquelas com infecção persistente, que são as que realmente possuem risco de desenvolver lesões de alto grau (NIC 2/3). O tabagismo, citado no caso, é um fator de risco importante para a persistência viral e progressão da lesão.
LSIL (Lesão Intraepitelial Escamosa de Baixo Grau) geralmente corresponde a alterações citopáticas causadas pela infecção produtiva pelo HPV (como a coilocitose) e tem alta probabilidade de regressão. Já a HSIL (Lesão de Alto Grau) representa lesões precursoras reais do câncer de colo uterino, com maior potencial de progressão e necessidade de investigação imediata com colposcopia e biópsia.
As diretrizes brasileiras recomendam a repetição em 6 meses para mulheres com 25 anos ou mais porque a maioria das lesões LSIL regride espontaneamente conforme o sistema imune clareia a infecção pelo HPV. Se o novo exame for negativo, a paciente retorna ao rastreamento citológico anual (ou trienal após dois negativos). Se persistir LSIL ou houver progressão, aí sim a colposcopia é indicada.
Em mulheres com menos de 25 anos, a conduta é ainda mais conservadora, com repetição em 3 anos, pois a prevalência de HPV é altíssima e o risco de câncer é muito baixo nessa faixa. Para mulheres com 25 anos ou mais, o intervalo de repetição é de 6 meses. O objetivo é evitar sobretratamento e procedimentos excisionais que podem causar morbidade obstétrica futura.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo