HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
Escolar, sexo masculino, com 6 anos de idade, foi picado por um animal enquanto brincava no jardim de sua casa com seu irmão mais velho, no dia anterior. Ambos relataram que foi uma aranha a responsável. O local de picada foi a mão direita e os pais relatam que a queixa inicial foi apenas discreta dor que melhorou com aplicação de gelo. Entretanto, hoje criança amanheceu com uma bolha no local da picada e piora da dor, descrita com “arde como fogo”. A aranha não foi capturada. No exame físico a criança também está pálida e febril, com 38,0 °C. Qual o tipo de acidente mais provável e a conduta mais correta?
Picada Loxosceles: dor 'queimação', bolha, palidez, febre → investigar hemólise (exames lab).
A picada de aranha-marrom (Loxosceles) pode causar loxoscelismo cutâneo-hemolítico, caracterizado por lesão cutânea progressiva (bolha, necrose) e, em casos mais graves, manifestações sistêmicas como febre, mal-estar e hemólise, que exige investigação laboratorial.
O acidente loxoscélico é causado pela picada de aranhas do gênero Loxosceles, popularmente conhecidas como aranha-marrom. É um agravo de saúde pública em algumas regiões, caracterizado por uma lesão cutânea progressiva e, em uma parcela dos casos, por manifestações sistêmicas graves. A toxina da aranha-marrom contém enzimas como a esfingomielinase D, que é responsável pela necrose tecidual e pela hemólise. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história da picada e nas características da lesão. A dor inicial é discreta, mas evolui para uma dor intensa em queimação. A lesão cutânea progride de uma mácula eritematosa para uma placa edematosa, com formação de bolha e, posteriormente, uma placa necrótica escura (placa marmórea). As manifestações sistêmicas, como febre, mal-estar, náuseas e vômitos, podem surgir e são indicativas de um quadro mais grave, especialmente a hemólise intravascular. A conduta inicial envolve medidas de suporte como limpeza local, analgesia e observação. Em casos com suspeita de hemólise (palidez, febre, icterícia, urina escura), é imperativo realizar exames laboratoriais como hemograma completo, bilirrubinas, LDH, haptoglobina e função renal para avaliar a extensão da hemólise. A soroterapia antiaracnídica é indicada em casos de loxoscelismo cutâneo-hemolítico ou em lesões cutâneas extensas e progressivas, especialmente nas primeiras 72 horas. O debridamento cirúrgico é controverso e geralmente reservado para necrose estabelecida.
Inicialmente, dor discreta que evolui para dor intensa em queimação, formação de bolha e lesão necrótica. Sintomas sistêmicos podem incluir febre, mal-estar, náuseas e, em casos graves, hemólise e insuficiência renal.
A toxina da aranha Loxosceles possui atividade esfingomielielinase D, que pode causar hemólise intravascular grave, levando a anemia, icterícia e insuficiência renal aguda, necessitando de intervenção imediata.
Limpeza local com água e sabão, compressas frias e analgesia. É fundamental observar a evolução da lesão e, em casos com manifestações sistêmicas ou suspeita de hemólise, realizar exames laboratoriais e considerar soroterapia específica.
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