UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina de 4 anos é trazida ao serviço de Emergência para avaliação de lesão em dorso do pé esquerdo há cerca de 24h. Pais notaram inicialmente edema e hiperemia local associado a dor discreta, evoluindo com enduração e áreas equimóticas. Exame físico: placa eritematosa marmórea, com vesículas em área central de conteúdo hemorrágico. A principal hipótese diagnóstica é:
Placa marmórea (isquemia/hemorragia) + Dor tardia → Loxoscelismo.
O acidente loxoscélico caracteriza-se por uma lesão isquêmica que evolui para necrose, marcada pela clássica placa livedoide ou marmórea central.
O loxoscelismo é causado pela picada da aranha do gênero Loxosceles (aranha marrom). O veneno possui a enzima esfingomielinase D, que desencadeia uma cascata inflamatória intensa, ativação do sistema complemento e agregação plaquetária, resultando em vasculite e isquemia tecidual. A evolução da lesão é lenta: o que começa como um pequeno eritema transforma-se na placa marmórea em 24 a 48 horas, podendo evoluir para uma escara necrótica seca que, ao cair, deixa uma úlcera de difícil cicatrização. O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico, já que raramente o paciente traz o animal para identificação. O manejo precoce com hidratação e, se indicado, soroterapia é crucial para prevenir complicações sistêmicas.
A lesão típica é a 'placa livedoide' ou marmórea, que surge geralmente após 12-24 horas da picada. Caracteriza-se por áreas intercaladas de palidez (isquemia), eritema e cianose (equimose), podendo apresentar vesículas ou bolhas centrais com conteúdo hemorrágico. A dor costuma ser de intensidade crescente após um período inicial assintomático.
A forma cutânea é a mais comum, limitada à necrose local. A forma cutâneo-visceral (ou sistêmica) é rara, mas grave, ocorrendo geralmente nas primeiras 24 horas, e manifesta-se com hemólise intravascular, anemia, icterícia, hemoglobinúria e insuficiência renal aguda, sendo uma emergência médica.
O tratamento depende da gravidade. Casos leves utilizam analgésicos e compressas frias. Casos com placa livedoide extensa ou manifestações sistêmicas requerem o uso de soro antiloxoscélico (ou antiaracnídico) e corticosteroides (como a prednisona) para limitar a progressão da inflamação e da necrose.
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