MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma criança de 7 anos de idade, sexo feminino, é levada ao pronto-socorro pelos responsáveis com relato de que, há cerca de 18 horas, ao vestir seu uniforme escolar que estava guardado no armário, sentiu uma leve picada na região escapular direita. Inicialmente, apresentava apenas um ponto eritematoso com prurido local, mas o quadro evoluiu para uma dor em queimação de intensidade progressiva. Ao exame físico, a paciente encontra-se em bom estado geral, afebril (36,7 °C), com frequência cardíaca de 98 bpm e pressão arterial de 100 x 65 mmHg. A inspeção da região escapular revela uma área eritematosa de 6 cm de diâmetro, com centro pálido apresentando áreas intercaladas de equimose e cianose, configurando um aspecto de placa marmórea. Não há evidência de alteração na coloração da urina. Com base nesse cenário clínico, a conduta mais adequada é:
Dor em queimação + placa marmórea = Loxoscelismo (aranha-marrom).
O loxoscelismo pode evoluir com necrose cutânea ou hemólise sistêmica grave. O tratamento envolve soroterapia específica e suporte clínico rigoroso.
O acidente loxoscélico é causado por aranhas do gênero Loxosceles, conhecidas como aranhas-marrom. O veneno possui a enzima esfingomielinase D, que interage com as membranas celulares e desencadeia uma cascata de ativação do complemento e quimiotaxia de neutrófilos. Isso resulta em dano endotelial e necrose tecidual. Na prática pediátrica, a suspeita clínica precoce é vital, pois a picada inicial costuma ser pouco dolorosa, retardando a busca por auxílio médico até que a dor em queimação e a placa marmórea se instalem.
A placa marmórea é a lesão cutânea patognomônica do loxoscelismo cutâneo. Ela se manifesta tipicamente entre 12 a 36 horas após a picada e caracteriza-se por uma área de eritema entremeada por zonas pálidas de isquemia e áreas cianóticas/equimóticas. Essa aparência 'marmorizada' reflete a ação da enzima esfingomielinase D do veneno, que causa vasculite, trombose de pequenos vasos e intensa resposta inflamatória local, evoluindo frequentemente para necrose seca e escara.
O soro antiloxoscélico está indicado nos casos de loxoscelismo cutâneo-visceral (forma sistêmica com hemólise e/ou insuficiência renal) independentemente do tempo decorrido, e nos casos de loxoscelismo cutâneo com lesões sugestivas (placa marmórea) atendidos preferencialmente nas primeiras 72 horas. Em crianças, devido ao menor volume de distribuição, a vigilância deve ser redobrada para sinais de hemólise, como anemia súbita e hemoglobinúria (urina cor de Coca-Cola).
Existem duas formas principais: a cutânea e a cutâneo-visceral. A forma cutânea (mais comum) limita-se à dermonecrose local com dor progressiva. A forma cutâneo-visceral é mais grave e rara, caracterizando-se por hemólise intravascular, anemia hemolítica, icterícia, hemoglobinúria e risco de insuficiência renal aguda. Ambas requerem monitoramento clínico, mas a forma visceral exige suporte intensivo e hidratação vigorosa para proteger a função renal.
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