Loxoscelismo: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

A vítima queixa-se de dor em queimação no local da picada, associada a edema; febre e mal-estar podem ocorrer. Após 24 horas a lesão evolui tipicamente com uma bolha ou equimose central circundada por um halo pálido (isquêmico), seguido de uma área de eritema. Ao longo dos dias, a lesão central evolui para necrose, que pode atingir grande extensão e profundidade. O acidente também pode dar origem a um quadro de víscera, que envolve febre, calafrios, cefaleia, náuseas, vômitos, urina cor de “lavado de carne”, icterícia e anemia, podendo evoluir para coagulação intravascular e insuficiência renal aguda.SOUSA, T. C. J. Picadas de cobras, aranhas e escorpiões. In: GUSSO G. (Org.); LOPES, J. M. C. (Org.); DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2a. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.A descrição refere-se às manifestações de acidente ocasionado por um animal peçonhento do gênero

Alternativas

  1. A) Loxosceles.
  2. B) Phoneutria.
  3. C) Latrodectus.
  4. D) Tityus.
  5. E) Micrurus.

Pérola Clínica

Picada de aranha com dor em queimação + bolha/equimose com halo isquêmico + necrose + hemólise/IRA → Loxoscelismo.

Resumo-Chave

O loxoscelismo, causado pela aranha-marrom (Loxosceles), é caracterizado por uma lesão cutânea progressiva com necrose e, em casos graves, pode levar a um quadro sistêmico com hemólise, icterícia e insuficiência renal aguda, conhecido como loxoscelismo cutâneo-visceral.

Contexto Educacional

O loxoscelismo é o acidente aracnídico mais grave no Brasil, causado principalmente por aranhas do gênero Loxosceles, conhecidas como aranha-marrom. Essas aranhas são encontradas em ambientes domiciliares e peridomiciliares. A importância clínica reside na capacidade do veneno de causar lesões cutâneas necróticas e, em uma porcentagem dos casos, manifestações sistêmicas graves. A fisiopatologia envolve a ação de enzimas proteolíticas e hialuronidase presentes no veneno, que causam destruição tecidual e vasculite. A esfingomielinase D é a principal toxina responsável pela necrose e hemólise. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história da picada e nas características da lesão. A suspeita deve ser alta em áreas endêmicas e diante da evolução típica da lesão e/ou sintomas sistêmicos. O tratamento visa controlar a dor, prevenir infecções secundárias e, nos casos mais graves, neutralizar o veneno com soro antiaracnídico. A forma cutâneo-visceral exige monitoramento rigoroso da função renal e hematológica. A educação da população sobre medidas preventivas e o reconhecimento precoce dos sintomas são fundamentais para um melhor prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da lesão cutânea no loxoscelismo?

A lesão inicia com dor em queimação e edema, evoluindo para uma bolha ou equimose central circundada por um halo pálido (isquêmico) e eritema, progredindo para necrose que pode ser extensa e profunda.

Quais são os sintomas sistêmicos do loxoscelismo cutâneo-visceral?

O quadro sistêmico inclui febre, calafrios, cefaleia, náuseas, vômitos, urina escura ("lavado de carne" devido à hemólise), icterícia, anemia, podendo evoluir para coagulação intravascular disseminada e insuficiência renal aguda.

Qual o tratamento para o loxoscelismo?

O tratamento inclui medidas locais (compressas frias, elevação do membro), analgésicos e, em casos moderados a graves ou com suspeita de forma cutâneo-visceral, a administração de soro antiaracnídico específico.

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