UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
O médico José dos Santos, após completar os dois anos do Programa de Residência Médica em Medicina Geral de Família e Comunidade, integrou uma equipe da Saúde da Família na cidade de Marabá, Estado do Pará, onde permaneceu por dezoito meses. Após aprovação em novo processo seletivo para residência médica na especialidade oftalmologia, utilizando-se da bonificação de 10% garantida em lei, o Dr. José solicitou demissão de seu cargo na equipe, ato pelo qual promoveu prejuízo do seguinte princípio ou característica da Estratégia Saúde da Família:
Troca frequente de profissionais na ESF → prejuízo da longitudinalidade do cuidado e vínculo médico-paciente.
A longitudinalidade é um dos princípios fundamentais da Estratégia Saúde da Família (ESF), garantindo a continuidade do cuidado ao longo do tempo e o estabelecimento de um vínculo de confiança entre a equipe e a comunidade. A saída precoce de um profissional, como um médico, impacta diretamente esse princípio, comprometendo a qualidade e a efetividade da assistência.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é o modelo prioritário de organização da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, fundamentada em princípios que visam a integralidade e a qualidade do cuidado. Entre esses princípios, a longitudinalidade do cuidado destaca-se como um pilar essencial para a efetividade da assistência. Ela implica que o paciente e sua família sejam acompanhados por uma mesma equipe de saúde ao longo do tempo, construindo um vínculo de confiança e conhecimento mútuo. Quando um profissional, como o médico, deixa a equipe de Saúde da Família, especialmente após um período de atuação, ocorre uma quebra na longitudinalidade. Isso não apenas prejudica a continuidade da assistência, mas também afeta o vínculo médico-paciente, que é crucial para a adesão ao tratamento, a prevenção de doenças e a promoção da saúde. A perda desse profissional pode gerar desorganização na equipe, sobrecarga para os demais membros e, principalmente, desassistência e insatisfação por parte da comunidade. Para os residentes, compreender a importância da longitudinalidade é fundamental para a prática na APS. A estabilidade das equipes e a valorização dos profissionais que atuam na ESF são fatores determinantes para o sucesso da estratégia, garantindo que os princípios da APS sejam efetivamente aplicados e que a população receba um cuidado contínuo, abrangente e de qualidade.
A longitudinalidade do cuidado refere-se à continuidade da assistência ao longo do tempo, com o mesmo profissional ou equipe de saúde, permitindo o desenvolvimento de um vínculo de confiança e o conhecimento aprofundado das necessidades de saúde do indivíduo e da família, independentemente da ocorrência de doenças.
A saída de um médico interrompe a continuidade do cuidado e o vínculo estabelecido com os pacientes. Isso pode levar à perda de informações importantes sobre o histórico de saúde, dificultar a adesão a tratamentos, gerar desconfiança e exigir que os pacientes recomecem o processo de construção de relacionamento com um novo profissional, prejudicando a efetividade da assistência.
Além da longitudinalidade, outros princípios essenciais da ESF incluem a integralidade da assistência (abordagem holística), a coordenação do cuidado (organização da rede de serviços), a centralidade na família, a participação comunitária e a territorialização (atuação em área geográfica definida).
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