SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Você acaba de assumir uma unidade de saúde em uma zona rural de Santa Catarina. Em seu terceiro dia de trabalho, a técnica de enfermagem te chama alertando que Carlos de 62 anos está com glicemia capilar de 290. Ele é diabético há alguns anos e mora em uma fazenda a mais de 7 km do centro de saúde e a 15 km do núcleo urbano do município. Carlos conta que já usa metformina e que pulou o comprimido da manhã, pois às vezes tem diarreia depois de tomar, e, como precisava ir ao centro, não queria "passar dificuldade". A técnica de enfermagem conta que seu Carlos é um paciente difícil, que nunca controlou a diabetes e não toma a insulina pois a mãe "perdeu o pé depois de começar a tomar". As seguintes alternativas tratam dos princípios da Atenção Primária à Saúde. Assinale qual a alternativa mais correta para o manejo de Carlos:
Diabetes em zona rural + baixa adesão → Longitudinalidade e visita domiciliar são essenciais na APS.
A longitudinalidade na APS implica no acompanhamento contínuo do paciente ao longo do tempo, fortalecendo o vínculo e a responsabilização. Em contextos de difícil acesso e baixa adesão, a visita domiciliar é uma estratégia fundamental para garantir a continuidade do cuidado e abordar barreiras sociais e culturais.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial do sistema de saúde e se baseia em princípios como a longitudinalidade, que se refere à continuidade do cuidado ao longo do tempo e ao estabelecimento de um vínculo duradouro entre o paciente e a equipe de saúde. Este princípio é vital para o manejo de doenças crônicas como o diabetes mellitus, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e geográfica, onde a adesão ao tratamento pode ser desafiadora. O caso de Carlos ilustra a importância de uma abordagem que vá além da simples prescrição medicamentosa. A glicemia elevada, a falta de adesão à metformina devido a efeitos colaterais e o medo da insulina, enraizado em experiências familiares, são barreiras que exigem um cuidado personalizado. A visita domiciliar, proposta na alternativa correta, é uma ferramenta poderosa da APS que reforça a longitudinalidade, permitindo que a equipe compreenda o contexto de vida do paciente, suas crenças e dificuldades, e construa um plano terapêutico mais adequado e sustentável. Para residentes, compreender e aplicar os princípios da APS é fundamental. A longitudinalidade, aliada à integralidade e ao acesso, permite um cuidado mais humano e eficaz, prevenindo complicações e promovendo a saúde em sua totalidade. O manejo do diabetes, nesse cenário, não se limita ao controle glicêmico, mas abrange a educação em saúde, a desmistificação de tratamentos e a adaptação das estratégias às realidades do paciente, garantindo a continuidade e a qualidade do cuidado.
Os princípios fundamentais da APS incluem primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado, além de orientação familiar e comunitária e competência cultural.
A visita domiciliar é crucial para superar barreiras geográficas e sociais, fortalecer o vínculo com a equipe de saúde, avaliar o ambiente do paciente e identificar fatores que afetam a adesão ao tratamento, como medos e crenças.
A longitudinalidade permite o acompanhamento contínuo do paciente pela mesma equipe, facilitando a construção de confiança, o conhecimento do histórico de saúde e a adaptação do plano terapêutico às necessidades e realidades individuais, melhorando o controle da doença a longo prazo.
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