SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma paciente de 58 anos de idade, hipertensa, com história de mau controle, obesidade grau 1, dislipidêmica, tabagista 40 anos/maços, com histórico de participação sem sucesso em programa de abandono ao tabagismo, é atendida em consulta de acolhimento em Unidade de Saúde da Família, após dois anos da última consulta agendada. Alega que procura atendimento em razão da dor de intensidade grau quatro em hemitórax anterior esquerdo há dois dias, contínua, sem irradiações, realizando ""sinal do apontamento"" para demonstrar local exato da dor, sem fator gatilho ou fator de piora notados. Além disso, relata que vem apresentando tosse não produtiva frequente há um mês, sem febre, dispneia, emagrecimento ou demais comemorativos. Não vem fazendo uso das respectivas medicações, alegando que se esquece de administrá-las. Leva boletim de atendimento em consulta realizada há duas semanas em unidade de pronto atendimento em razão da dor lombar, mostrando receita de corticoide intramuscular fornecida na alta, medicação da qual admite fazer uso com certa frequência, afirmando que esta sempre lhe é prescrita quando consulta na UPA. Mostra também exames realizados, há dois meses, solicitados em consulta médica em clínica popular, com os seguintes resultados: Hb = 13,2 g/dL, Ht = 37,1%, leucócitos = 7,2 mil, plaquetas = 148 mil, Cr = 1,1 mg/dL, Ur = 42 mg/dL, colesterol total = 270 mg/dL, HDL = 38 mg/dL, LDL =192 mg/dL, triglicerídeos = 198 mg/dL e glicemia de jejum = 123 mg/dL. Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. As múltiplas demandas, na consulta de acolhimento retratada, traduzem uma clara deficiência de longitudinalidade, definida como atributo derivado da Atenção Primária à Saúde.
Longitudinalidade = Vínculo terapêutico e acompanhamento ao longo do tempo, independente de problemas específicos.
A longitudinalidade refere-se à existência de uma fonte regular de cuidados e ao vínculo entre equipe e paciente ao longo do tempo, não sendo definida apenas pela complexidade da demanda.
Os atributos da Atenção Primária à Saúde, conforme definidos por Barbara Starfield, são divididos em essenciais (Acesso de Primeiro Contato, Longitudinalidade, Integralidade e Coordenação) e derivados (Orientação Familiar, Orientação Comunitária e Competência Cultural). A longitudinalidade é considerada o 'pilar' da APS, pois permite que a equipe conheça o contexto social e biológico do paciente, reduzindo hospitalizações e custos. No caso clínico apresentado, a paciente possui diversas condições crônicas não controladas e busca serviços de forma fragmentada (UPA, clínica popular), o que demonstra uma fragilidade na rede de atenção, mas a afirmação de que as demandas 'traduzem uma clara deficiência de longitudinalidade' é uma generalização conceitual incorreta para fins de prova, pois confunde o resultado clínico com a definição do atributo.
A longitudinalidade é o aporte de cuidado por uma fonte regular de atenção ao longo do tempo, independentemente da presença ou ausência de doenças específicas. Ela pressupõe a existência de um vínculo de confiança e conhecimento mútuo entre o paciente e a equipe de saúde, facilitando diagnósticos mais precisos e melhor adesão terapêutica.
Embora usados como sinônimos, a longitudinalidade foca na relação interpessoal e no vínculo com a pessoa ao longo de sua vida, enquanto a continuidade do cuidado foca na sequência lógica e coordenada de intervenções médicas para tratar um problema de saúde específico.
Porque o acúmulo de demandas (como dor torácica, tabagismo, exames alterados) em uma consulta após longo hiato reflete falhas no acesso, na integralidade ou na coordenação do cuidado, mas não define 'por si só' a falta de longitudinalidade. A longitudinalidade é um atributo de processo e relação; a paciente pode ter o vínculo, mas não ter acessado o serviço.
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