UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Homem de 30 anos apresenta, há 5 dias, dor em região lombar à direita, sem irradiação para membros inferiores ou outros sintomas, após empurrar móveis e carregar alguns objetos durante reforma em seu apartamento. Refere sintomas semelhantes em outra ocasião anterior. No exame físico da coluna, o paciente apresenta discreta contratura paravertebral lombar à direita. Relata ainda dor à flexão e discreta limitação desse movimento da coluna lombar. O exame neurológico dos membros inferiores é normal. O diagnóstico mais provável desse paciente é
Lombalgia aguda pós-esforço + exame neurológico normal → Lombalgia mecânica comum (diagnóstico clínico).
A lombalgia mecânica comum é o diagnóstico mais provável para um paciente jovem com dor lombar aguda após esforço físico, sem irradiação para membros inferiores e com exame neurológico normal. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e exame físico, sem necessidade de exames de imagem na ausência de 'red flags'.
A lombalgia é uma das queixas mais comuns na prática médica, afetando uma grande parcela da população em algum momento da vida. A lombalgia mecânica comum, também conhecida como dor lombar inespecífica, representa a maioria dos casos e é caracterizada por dor na região lombar sem uma causa específica identificável, geralmente relacionada a sobrecarga muscular, ligamentar ou discal. É mais frequente em adultos jovens e de meia-idade, muitas vezes desencadeada por esforço físico, má postura ou movimentos inadequados. A fisiopatologia da lombalgia mecânica envolve microtraumas ou inflamação em estruturas musculoesqueléticas da coluna lombar. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história detalhada do paciente (início, características da dor, fatores de melhora e piora) e no exame físico. Este deve incluir a palpação da coluna, avaliação da amplitude de movimento, pesquisa de contraturas musculares e um exame neurológico completo dos membros inferiores para descartar radiculopatias ou outras condições mais graves. A ausência de 'sinais de alarme' (red flags) é crucial para firmar o diagnóstico de lombalgia mecânica comum. O tratamento da lombalgia mecânica comum é conservador e visa o alívio da dor e a restauração da função. Inclui repouso relativo (evitar atividades que exacerbam a dor), analgésicos (AINEs, paracetamol), relaxantes musculares e fisioterapia. A educação do paciente sobre a natureza benigna e autolimitada da condição, bem como a importância da manutenção da atividade física e da prevenção de novos episódios, são pilares do manejo. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes apresentando melhora significativa em poucas semanas, mas a recorrência é comum.
O diagnóstico de lombalgia mecânica comum é feito com base na história de dor lombar relacionada a esforço físico ou postura, piora com movimento e melhora com repouso, ausência de irradiação para membros inferiores (ou irradiação não radicular) e exame neurológico dos membros inferiores normal. A presença de contratura paravertebral e limitação de movimentos também é comum.
Os 'red flags' incluem idade < 20 ou > 50 anos com dor de início recente, trauma significativo, febre, perda de peso inexplicada, história de câncer, uso de imunossupressores, dor noturna persistente, déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina (retenção urinária, anestesia em sela) e uso de drogas intravenosas.
Exames de imagem como radiografias, tomografias ou ressonâncias magnéticas não são recomendados de rotina na lombalgia mecânica comum porque a maioria dos casos é autolimitada e não revela achados clinicamente relevantes que alterem a conduta. Além disso, achados degenerativos são comuns em indivíduos assintomáticos e podem levar a tratamentos desnecessários e iatrogenia.
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