Lombalgia Inflamatória: Diagnóstico Precoce com RM

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, de 39 anos, com lombalgia noturna de início insidioso há 4 meses que amenizava com exercício, mas não com repouso, vinha fazendo uso intermitente de anti-inflamatórios não esteroidais com resposta significativa, mas transitória. Apresentou elevação do nível de proteína C reativa. Radiografia convencional de coluna lombar e articulações sacroilíacas não mostrou alterações. Com base no quadro, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever fisioterapia.
  2. B) Iniciar glicocorticoide sistêmico.
  3. C) Solicitar ressonância magnética.
  4. D) Realizar infiltração de articulações interfacetárias.

Pérola Clínica

Lombalgia inflamatória (noturna, melhora exercício, piora repouso) + PCR ↑ + RX normal → RM sacroilíacas para sacroileíte subclínica.

Resumo-Chave

A lombalgia inflamatória, característica das espondiloartrites, muitas vezes não apresenta alterações radiográficas precoces. Nesses casos, a ressonância magnética das articulações sacroilíacas é o método de imagem mais sensível para detectar sacroileíte ativa, fundamental para o diagnóstico precoce.

Contexto Educacional

A lombalgia inflamatória é um sintoma cardinal das espondiloartrites axiais, um grupo de doenças reumáticas inflamatórias crônicas que afetam predominantemente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. É crucial diferenciar a lombalgia inflamatória da mecânica, pois o manejo e o prognóstico são distintos. A prevalência das espondiloartrites axiais é significativa, e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar danos estruturais irreversíveis e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. As características da lombalgia inflamatória incluem início insidioso antes dos 40-45 anos, duração superior a 3 meses, piora com o repouso e à noite, melhora com o exercício e presença de rigidez matinal prolongada. No caso apresentado, o paciente tem 39 anos, lombalgia noturna há 4 meses que melhora com exercício e piora com repouso, além de PCR elevada, o que sugere fortemente um quadro inflamatório. A radiografia convencional pode ser normal nas fases iniciais da doença, pois as alterações estruturais levam tempo para se desenvolver. Diante de uma forte suspeita clínica de espondiloartrite axial com radiografias normais, a ressonância magnética (RM) das articulações sacroilíacas é a conduta mais adequada. A RM é capaz de detectar sacroileíte ativa (edema ósseo/osteíte) e outras lesões inflamatórias precoces, que são critérios diagnósticos para espondiloartrite axial não radiográfica (critérios ASAS). O tratamento precoce, muitas vezes com anti-inflamatórios não esteroidais e, em casos refratários, com agentes biológicos, pode modificar o curso da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da lombalgia inflamatória?

A lombalgia inflamatória tipicamente se manifesta com dor lombar de início insidioso, piora com o repouso (especialmente à noite ou pela manhã), melhora com o exercício, e pode estar associada à rigidez matinal prolongada (>30 minutos).

Por que a radiografia pode ser normal em casos de espondiloartrite axial?

A radiografia convencional detecta alterações estruturais crônicas, como erosões e esclerose nas sacroilíacas. Em fases iniciais da espondiloartrite axial, a inflamação (sacroileíte ativa) pode não ter causado ainda essas alterações, resultando em radiografias normais.

Qual o papel da ressonância magnética no diagnóstico da espondiloartrite axial?

A ressonância magnética é o método de imagem mais sensível para detectar sacroileíte ativa (edema ósseo/osteíte) e outras lesões inflamatórias precoces nas articulações sacroilíacas e na coluna, sendo crucial para o diagnóstico de espondiloartrite axial não radiográfica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo