INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Homem de 45 anos, trabalhador da construção civil, comparece a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) devido à dor lombar iniciada há um mês, com piora progressiva, irradiada para o membro inferior direito, com maior intensidade ao final do expediente de trabalho, especialmente após carregar materiais pesados. Nega histórico de trauma, febre, perda de peso ou outros sintomas sistêmicos. Ao exame físico, há dor à palpação de musculatura paravertebral bilateral na região lombar, sem alterações neurológicas. Não há restrição de movimentos e a flexão está preservada. O exame de força e sensibilidade nos membros inferiores está normal, e os reflexos patelar e aquileu estão preservados. Lasègue negativo bilateralmente. Quais são as condutas adequadas a serem adotadas nesse caso?
Lombalgia sem 'red flags' ou déficit neurológico → Sem exames de imagem + AINE/Exercício.
A maioria das lombalgias é inespecífica e mecânica. Na ausência de sinais de alerta (red flags) ou déficits neurológicos, exames de imagem não são indicados e o foco deve ser o controle da dor e manutenção da atividade.
A lombalgia é uma das causas mais comuns de consulta médica. Cerca de 90% dos casos são de origem mecânica inespecífica, com bom prognóstico. O exame físico deve focar na busca por déficits motores, sensitivos ou de reflexos. No caso clínico, o paciente apresenta exame neurológico normal e ausência de sinais sistêmicos, o que classifica sua dor como mecânica relacionada ao esforço ocupacional. O tratamento padrão-ouro envolve o uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) por curto período, associados ou não a relaxantes musculares. A educação do paciente sobre a natureza benigna da dor e a importância de evitar o repouso absoluto são fundamentais para o sucesso terapêutico. Exames de imagem só devem ser solicitados se houver suspeita de patologia grave subjacente ou se não houver melhora após 4 a 6 semanas de tratamento conservador.
Os sinais de alerta que indicam necessidade de investigação imediata incluem: idade > 50 ou < 20 anos, histórico de câncer, perda de peso inexplicada, febre, uso de drogas injetáveis, trauma recente, dor noturna que não melhora com repouso, e déficits neurológicos focais ou progressivos (como síndrome da cauda equina).
A manobra de Lasègue (elevação da perna estendida) é usada para pesquisar compressão radicular, geralmente por hérnia de disco. É considerada positiva se o paciente sente dor irradiada no trajeto do nervo isquiático entre 30 e 70 graus de elevação. Um Lasègue negativo, como no caso, reduz drasticamente a probabilidade de uma radiculopatia compressiva significativa.
Evidências atuais demonstram que o repouso prolongado é prejudicial na lombalgia mecânica, levando à rigidez e fraqueza muscular. A manutenção de atividades leves e a prática de exercícios físicos orientados aceleram a recuperação e previnem a cronificação da dor, ao contrário do repouso absoluto que era recomendado antigamente.
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