Lombalgia Aguda Inespecífica: Conduta e Tratamento Inicial

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, de 27 anos, veio à consulta queixando-se de lombalgia, iniciada há 3 dias, sem melhora com o uso de paracetamol. Negou comorbidades. Ao exame físico, foram constatados reflexos, força e sensibilidade preservados nas 4 extremidades, com dor à palpação paravertebral bilateral em região lombar, mas sem dor à palpação de processos espinhosos. Sinal de Lasègue estava negativo bilateralmente. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Indicar repouso absoluto.
  2. B) Aumentar a dose de paracetamol.
  3. C) Prescrever anti-inflamatório não esteroidal.
  4. D) Realizar infiltração para-espinhal.

Pérola Clínica

Lombalgia aguda inespecífica sem radiculopatia → AINEs e manter atividade física. Repouso absoluto ❌.

Resumo-Chave

A lombalgia aguda inespecífica é uma condição comum, geralmente autolimitada. O tratamento inicial inclui analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), com recomendação de manter a atividade física e evitar o repouso absoluto prolongado. A ausência de sinais de alarme e Lasègue negativo reforçam o diagnóstico de lombalgia mecânica.

Contexto Educacional

A lombalgia aguda inespecífica é uma das queixas mais comuns na prática médica, afetando grande parte da população em algum momento da vida. É definida como dor na região lombar que dura menos de 6 semanas e não possui uma causa específica identificável, como hérnia de disco com radiculopatia, fratura ou tumor. Sua importância reside na alta prevalência e no impacto na qualidade de vida e produtividade. A fisiopatologia geralmente envolve distensões musculares, ligamentares ou disfunções das articulações facetárias. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial excluir sinais de alarme (red flags) que possam indicar condições mais graves, como infecção, fratura ou neoplasia. No caso descrito, a ausência de déficits neurológicos e o sinal de Lasègue negativo afastam radiculopatia significativa. O tratamento da lombalgia aguda inespecífica foca no alívio da dor e na manutenção da funcionalidade. Analgésicos simples (paracetamol) e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são as opções farmacológicas de primeira linha. É fundamental orientar o paciente a manter-se ativo e evitar o repouso absoluto prolongado, que pode ser prejudicial. Fisioterapia e exercícios específicos podem ser úteis para a recuperação e prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme (red flags) na lombalgia que indicam investigação mais aprofundada?

Sinais de alarme incluem febre, perda de peso inexplicada, história de câncer, déficit neurológico progressivo, dor noturna intensa, trauma significativo, uso de imunossupressores ou idade > 50 anos com início súbito.

Qual o papel do repouso na lombalgia aguda inespecífica?

O repouso absoluto prolongado não é recomendado. Aconselha-se manter a atividade física dentro dos limites da dor, pois o movimento ajuda na recuperação e previne o descondicionamento.

Quando é indicado o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para lombalgia?

Os AINEs são indicados como primeira linha para alívio da dor na lombalgia aguda inespecífica, especialmente quando analgésicos simples como paracetamol não são suficientes.

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