TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente jovem do sexo masculino, 25 anos, vai ao pronto atendimento referindo dor nos rins. Ele descreve a dor como intensa, pulsante, na região inferior das costas, que piora com movimentos e melhora com repouso. Nega irradiação e sintomas abdominais. Não há histórico de trauma recente. Com base nas características da dor, qual o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada?
Dor lombar que piora com movimento e melhora com repouso, sem irradiação = Lombalgia mecânica.
A dor mecânica é caracterizada pela relação direta com o esforço físico e ausência de sintomas sistêmicos ou radiculares, diferenciando-se da dor visceral (renal).
A lombalgia é uma das causas mais comuns de procura ao pronto-socorro. A vasta maioria dos casos é de origem inespecífica ou mecânica, não exigindo exames de imagem na primeira avaliação se não houver sinais de alerta. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de dor relacionada ao movimento. O tratamento padrão-ouro envolve analgesia escalonada, calor local e, fundamentalmente, a orientação de evitar o repouso prolongado, incentivando o retorno precoce às atividades habituais e fortalecimento muscular.
A dor lombar mecânica (musculoesquelética) geralmente é desencadeada ou agravada por movimentos, posturas específicas ou palpação local, e tende a melhorar com o repouso. Já a cólica renal (litíase) manifesta-se como uma dor súbita, de intensidade severa, tipo cólica, frequentemente associada a náuseas, vômitos e inquietação (o paciente não encontra posição de alívio), com irradiação característica para o flanco e região inguinal, sem relação com movimentos da coluna.
Os sinais de alerta (red flags) que indicam patologias graves incluem: idade > 50 ou < 20 anos, histórico de neoplasia, perda de peso inexplicada, febre, uso de drogas IV, trauma significativo, déficit neurológico focal ou progressivo (como síndrome da cauda equina), e dor que não melhora com o repouso ou que piora à noite. Na ausência desses sinais, como no caso clínico apresentado, o manejo inicial costuma ser conservador, sem necessidade imediata de exames de imagem complexos.
Na fase aguda da lombalgia, a fisioterapia foca no controle da dor e na educação do paciente para evitar o repouso absoluto, que é prejudicial. Após a fase aguda, o foco muda para exercícios de fortalecimento da musculatura estabilizadora do 'core' (transverso do abdome, multífidos) e alongamentos, visando prevenir a cronificação e recorrências. A evidência atual suporta fortemente a manutenção da atividade física leve conforme a tolerância do paciente.
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