INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 38 anos de idade, pedreiro, vem à Unidade Básica de Saúde com relato de dor lombar contínua há uma semana, aos esforços acentuados, a qual não causa limitação de suas atividades diárias. Informa, com bastante firmeza, diminuição da sensibilidade na face lateral da perna esquerda. Ao exame físico apresenta dor à digitopressão lombar com teste de Lasègue negativo bilateralmente. A conduta a ser adotada na sequência deve ser:
Lombalgia sem red flags + Lasègue (-) → Manejo conservador (AINE + Fisio).
Na ausência de sinais de alerta ou radiculopatia comprovada, o tratamento da lombalgia aguda deve ser conservador, evitando exames de imagem desnecessários.
A lombalgia é uma das causas mais comuns de consulta médica e absenteísmo laboral. A vasta maioria dos casos (cerca de 90%) é de origem inespecífica ou mecânica, com resolução espontânea em poucas semanas. O desafio do médico na Unidade Básica de Saúde é triar os poucos pacientes com patologias graves subjacentes. O caso clínico descreve um paciente com dor relacionada ao esforço, sem limitação funcional grave e com exame físico sem sinais de compressão radicular (Lasègue negativo). A queixa de parestesia lateral sem déficit motor ou reflexos alterados, em contexto de dor mecânica, não justifica investigação imediata com RM. O tratamento focado em analgesia e reabilitação é a conduta baseada em evidências mais adequada.
Exames de imagem (Raio-X, Tomografia ou Ressonância) só devem ser solicitados na presença de 'sinais de alerta' (red flags). Estes incluem: trauma significativo, perda de peso inexplicada, histórico de câncer, febre, uso de drogas IV, imunossupressão, déficit neurológico focal progressivo, síndrome da cauda equina (anestesia em sela, disfunção esfincteriana) ou dor que não melhora após 4-6 semanas de tratamento conservador. Na ausência desses sinais, a imagem não altera a conduta e pode revelar achados degenerativos incidentais que não são a causa da dor.
O teste de Lasègue (ou elevação da perna retificada) é uma manobra de estiramento do nervo isquiático. É considerado positivo quando o paciente relata dor irradiada para o membro inferior (abaixo do joelho) entre 30 e 70 graus de elevação. Sua principal utilidade é a alta sensibilidade para compressão radicular (especialmente hérnias de disco L4-L5 e L5-S1). Um teste de Lasègue negativo, como no caso clínico, torna o diagnóstico de radiculopatia compressiva muito improvável, reforçando a natureza mecânico-postural da dor.
O objetivo do tratamento na fase aguda (primeiras 4 semanas) é o controle da dor e a manutenção da funcionalidade. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são eficazes no alívio sintomático a curto prazo. A fisioterapia e a orientação para manter-se ativo (evitando repouso absoluto no leito) aceleram a recuperação e previnem a cronificação da dor. O repouso prolongado é contraindicado, pois pode levar à rigidez articular e atrofia muscular, piorando o prognóstico funcional do paciente.
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