SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Francisco, 41 anos, hipertenso, trabalha como auxiliar de pedreiro há cerca de 10 anos. Ele procura atendimento no meio do turno da tarde, alegando dor na coluna de forte intensidade que iniciou há 2 dias após fazer um esforço diferente do habitual. Diz que a dor "corre" para o glúteo e pernas e que nunca apresentou dor semelhante. Nega despertar pela dor, alterações urinárias, traumas, febre e perda de peso. Em casa, fez uso de anti-inflamatório não esteroidal (AINE) por conta própria com alívio parcial do quadro. Francisco se preocupa, pois, seu pai teve hérnia de disco e precisou passar por cirurgia. Tem medo que o mesmo aconteça com ele, pois não pode ficar afastado do trabalho por tempo prolongado, uma vez que é ele quem sustenta a casa. Apresenta dor a elevação dos membros inferiores referida em glúteo e sem demais alterações ao exame físico. Hoje, ele solicita um pedido para fazer uma ressonância magnética (RNM) e retornar ao trabalho assim que possível. Diz que fará a RNM na rede privada, pois sabe que pelo SUS irá demorar. Como médico(a) de família, além de orientar sobre a importância da ergonomia, a primeira escolha a ser feita é:
Lombalgia aguda sem bandeiras vermelhas → analgesia, atividade, compressa morna, desaconselhar RNM inicial.
Em casos de lombalgia aguda sem sinais de alerta ('bandeiras vermelhas'), o tratamento inicial é conservador, focando em alívio da dor com analgésicos/AINEs, manutenção da atividade e orientações ergonômicas, evitando exames de imagem desnecessários na fase inicial.
A lombalgia aguda é uma das queixas mais comuns na atenção primária, afetando uma grande parcela da população em algum momento da vida. Caracteriza-se por dor na região lombar que dura menos de seis semanas. A grande maioria dos casos é de natureza mecânica e benigna, com resolução espontânea ou com tratamento conservador. É crucial para o médico de família identificar rapidamente as 'bandeiras vermelhas', que são sinais de alerta para condições mais graves que exigem investigação imediata. No caso de Francisco, a ausência de febre, perda de peso, alterações urinárias, traumas ou déficits neurológicos (exceto a dor irradiada que pode ser radiculopatia benigna) afasta as principais bandeiras vermelhas. A dor irradiada para glúteo e pernas, com elevação dos membros inferiores dolorosa, sugere uma radiculopatia, mas sem sinais de gravidade. A fisiopatologia geralmente envolve compressão ou irritação de raízes nervosas, muitas vezes por protrusão discal, mas que na fase aguda raramente requer intervenção cirúrgica. A primeira escolha no manejo da lombalgia aguda sem bandeiras vermelhas é tranquilizar o paciente, desaconselhar o repouso absoluto e a realização de exames de imagem desnecessários (como a RNM na fase inicial), prescrever analgésicos (AINEs ou analgésicos simples), orientar compressas mornas e manutenção da atividade física leve. O atestado médico deve ser pactuado com o paciente, visando o retorno precoce às atividades, com adaptações ergonômicas. O medo de hérnia de disco e cirurgia, como no caso do pai, é comum e deve ser abordado com informações claras sobre a benignidade da maioria dos quadros.
Bandeiras vermelhas incluem febre, perda de peso inexplicada, história de câncer, déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina (retenção urinária, anestesia em sela), trauma significativo, uso de imunossupressores ou drogas IV, e idade > 50 anos com dor de início recente.
A conduta inicial é conservadora: analgesia (AINEs, analgésicos simples), manutenção da atividade (evitar repouso absoluto prolongado), compressas mornas e orientações sobre ergonomia e exercícios leves. O objetivo é aliviar a dor e promover o retorno precoce às atividades.
A RNM não é indicada rotineiramente porque a maioria dos casos de lombalgia aguda é autolimitada e benigna. Achados de hérnia de disco são comuns em assintomáticos e podem levar a tratamentos invasivos desnecessários. É reservada para casos com bandeiras vermelhas, dor persistente após tratamento conservador ou sinais de déficit neurológico progressivo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo