CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Paciente no 18° dia pós-operatório de trabeculectomia no olho direito, apresenta pressão intraocular de 19 mmHg, câmara anterior formada, bolha ausente, sinal de Seidel negativo, e gonioscopia evidenciando a esclerotomia sem obstrução. Após massagem de moderada intensidade, observa-se elevação da bolha filtrante e pressão intraocular de 10 mmHg. Qual a melhor conduta neste momento, dentre as abaixo?
PIO ↑ + Bolha ausente + Resposta à massagem → Lise de sutura a laser (LSL).
No pós-operatório precoce de trabeculectomia, a ausência de bolha com esclerotomia patente sugere suturas do retalho muito apertadas, corrigíveis com laser.
A trabeculectomia (TREC) permanece como o padrão-ouro cirúrgico para o glaucoma. O manejo pós-operatório é crítico, especialmente nas primeiras semanas. A lise de sutura a laser (LSL) com lente de Hoskins ou similar permite que o cirurgião aumente a drenagem do humor aquoso de forma controlada. O timing é essencial: após a 3ª ou 4ª semana, a fibrose pode impedir que a lise de sutura funcione, tornando o agulhamento (needling) necessário.
A resposta positiva à massagem ocular, caracterizada pela elevação da bolha filtrante e redução imediata da pressão intraocular (PIO), indica que a via de drenagem (esclerotomia) está patente, mas o fluxo está sendo restringido pelas suturas do retalho escleral. Isso confirma que o problema não é uma obstrução interna (por sangue, fibrina ou íris) nem uma falha cicatricial conjuntival tardia, mas sim uma resistência mecânica excessiva das suturas, sendo a lise de sutura a laser a conduta de escolha.
A gonioscopia é fundamental para diferenciar a causa da hipertensão ocular no pós-operatório. Se a esclerotomia estiver obstruída por íris ou coágulos, a conduta é diferente. Se a gonioscopia mostrar uma esclerotomia livre e aberta, como no caso descrito, a resistência ao fluxo está localizada no retalho escleral ou na interface subconjuntival. No 18º dia, a lise de sutura permite modular a filtração de forma não invasiva.
A redução do corticoide seria contraproducente. No pós-operatório de cirurgias filtrantes, o corticoide é essencial para modular a cicatrização e evitar a fibrose da bolha. Se a PIO está elevada por resistência das suturas, reduzir o corticoide aumentaria o risco de falha definitiva da cirurgia por fibrose subconjuntival. A conduta deve focar em aumentar o fluxo através da lise das suturas.
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