PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Com relação ao líquor no recém-nascido a termo, assinale a alternativa INCORRETA:
Ajuste de leucócitos em LCR hemorrágico: (GV / 500) para leucócitos, (GV / 1000) para proteínas.
A alternativa C está incorreta porque o ajuste da contagem de leucócitos em líquor hemorrágico é feito dividindo o número de glóbulos vermelhos por 500 e *adicionando* este valor ao número de leucócitos, não subtraindo. Além disso, a proporção de leucócitos para glóbulos vermelhos no sangue periférico é de aproximadamente 1:500 a 1:1000, e essa proporção é usada para estimar a contribuição dos leucócitos do sangue na amostra de LCR.
A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é uma ferramenta diagnóstica crucial em neonatologia, especialmente na suspeita de infecções do sistema nervoso central, como a meningite neonatal. No entanto, a interpretação dos resultados no recém-nascido difere significativamente da de crianças mais velhas e adultos, devido às particularidades fisiológicas do período neonatal. Os valores de referência para o LCR em recém-nascidos a termo são distintos: a contagem de leucócitos pode ser mais elevada (até 25 células/mm³) e a concentração de proteínas também (até 150 mg/dL), com predomínio de mononucleares. A glicorraquia é geralmente 60-80% da glicemia sérica. Essas diferenças refletem a imaturidade da barreira hematoencefálica e a fisiologia do LCR neonatal. Um desafio comum é a punção lombar traumática, que contamina a amostra de LCR com sangue periférico. Nesses casos, é essencial realizar ajustes para estimar a verdadeira contagem de leucócitos e proteínas. A regra geral é que para cada 500-1000 glóbulos vermelhos/mm³ no LCR, espera-se 1 leucócito/mm³ adicional, e para cada 1000 glóbulos vermelhos/mm³, 1 mg/dL de proteína adicional. A compreensão desses ajustes é vital para evitar diagnósticos errôneos de meningite ou para não subestimar uma infecção.
No período neonatal, considera-se normal a presença de glóbulos brancos inferiores a 25/mm³ (com predomínio de mononucleares) e proteína abaixo de 150 mg/dL no líquor. Esses valores são mais elevados que em crianças mais velhas.
Após 28 dias de vida, a pleocitose é definida como mais de 5 células/mm³ e a hiperproteinorraquia, quando a concentração proteica é superior a 40 mg/dL. Há uma normalização dos valores com o crescimento.
Em amostras com glóbulos vermelhos, para cada 500-1000 glóbulos vermelhos/mm³, espera-se 1 leucócito/mm³. Para proteínas, para cada 1000 glóbulos vermelhos/mm³, espera-se um aumento de 1 mg/dL de proteína. Esses ajustes ajudam a diferenciar a contribuição do sangue periférico da inflamação real do SNC.
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