Meningite Bacteriana: Interpretação do Líquor

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Menina de três anos, previamente hígida, apresenta quadro clínico compatível com meningite bacteriana aguda e glicemia de 90 mg%. Ao ser submetida à punção lombar, qual das opções de análise de seu líquor é tipicamente mais compatível com a situação apresentada?

Alternativas

  1. A) 3 células/mm³, glicose de 70 mg% e proteínas de 20 mg/dL.
  2. B) 1.000 células/mm³, com predomínio de 80% de polimorfonucleares neutrófilos, glicose de 10 mg% e proteinorraquia de 180 mg%.
  3. C) 80 células/mm³ com predomínio de linfócitos, proteinorraquia de 40 mg/dL e glicose de 74 mg%.
  4. D) 100 células/mm³, proteinorraquia de 80 mg/dL e glicose de 80 mg%.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana: Líquor com pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia.

Resumo-Chave

Em casos de meningite bacteriana aguda, o líquor tipicamente apresenta uma resposta inflamatória intensa, caracterizada por aumento significativo de células com predomínio de neutrófilos, consumo de glicose pelas bactérias (hipoglicorraquia) e aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica (hiperproteinorraquia).

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves ou morte. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o pilar diagnóstico. A interpretação correta dos parâmetros do LCR é fundamental para diferenciar a etiologia bacteriana de outras causas de meningite, como viral ou fúngica. Os achados clássicos no LCR de uma meningite bacteriana incluem uma pleocitose significativa, geralmente com contagem de células acima de 1000/mm³, e um predomínio marcante de neutrófilos polimorfonucleares, que podem representar mais de 80% das células. A glicose no LCR é tipicamente baixa (hipoglicorraquia), muitas vezes abaixo de 40 mg/dL, devido ao consumo bacteriano. As proteínas no LCR estão elevadas (hiperproteinorraquia), frequentemente acima de 100 mg/dL, refletindo a inflamação e o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR, sem aguardar os resultados da cultura, devido à gravidade da condição. A identificação do agente etiológico por cultura ou PCR do LCR permite o ajuste do esquema antibiótico. A rápida interpretação do LCR, em conjunto com o quadro clínico, guia a conduta inicial e é um conhecimento essencial para qualquer residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do líquor em uma meningite bacteriana aguda?

Em uma meningite bacteriana aguda, o líquor tipicamente apresenta pleocitose acentuada (geralmente >1000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares neutrófilos (>80%), hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).

Como diferenciar a meningite bacteriana da viral pela análise do líquor?

A diferenciação é feita principalmente pela celularidade e tipo celular (bacteriana: neutrofílica; viral: linfocítica), níveis de glicose (bacteriana: baixa; viral: normal) e proteínas (bacteriana: muito alta; viral: discretamente alta ou normal).

Qual a importância da glicemia sérica na interpretação da glicose do líquor?

A glicemia sérica é crucial para interpretar a glicose do líquor, pois a glicose no líquor é aproximadamente 60% da glicemia sérica. A hipoglicorraquia é definida por um valor absoluto baixo ou por uma relação líquor/sangue inferior a 0,4.

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