AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Menina de três anos, previamente hígida, apresenta quadro clínico compatível com meningite bacteriana aguda e glicemia de 90 mg%. Ao ser submetida à punção lombar, qual das opções de análise de seu líquor é tipicamente mais compatível com a situação apresentada?
Meningite bacteriana: Líquor com pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia.
Em casos de meningite bacteriana aguda, o líquor tipicamente apresenta uma resposta inflamatória intensa, caracterizada por aumento significativo de células com predomínio de neutrófilos, consumo de glicose pelas bactérias (hipoglicorraquia) e aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica (hiperproteinorraquia).
A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves ou morte. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o pilar diagnóstico. A interpretação correta dos parâmetros do LCR é fundamental para diferenciar a etiologia bacteriana de outras causas de meningite, como viral ou fúngica. Os achados clássicos no LCR de uma meningite bacteriana incluem uma pleocitose significativa, geralmente com contagem de células acima de 1000/mm³, e um predomínio marcante de neutrófilos polimorfonucleares, que podem representar mais de 80% das células. A glicose no LCR é tipicamente baixa (hipoglicorraquia), muitas vezes abaixo de 40 mg/dL, devido ao consumo bacteriano. As proteínas no LCR estão elevadas (hiperproteinorraquia), frequentemente acima de 100 mg/dL, refletindo a inflamação e o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR, sem aguardar os resultados da cultura, devido à gravidade da condição. A identificação do agente etiológico por cultura ou PCR do LCR permite o ajuste do esquema antibiótico. A rápida interpretação do LCR, em conjunto com o quadro clínico, guia a conduta inicial e é um conhecimento essencial para qualquer residente.
Em uma meningite bacteriana aguda, o líquor tipicamente apresenta pleocitose acentuada (geralmente >1000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares neutrófilos (>80%), hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).
A diferenciação é feita principalmente pela celularidade e tipo celular (bacteriana: neutrofílica; viral: linfocítica), níveis de glicose (bacteriana: baixa; viral: normal) e proteínas (bacteriana: muito alta; viral: discretamente alta ou normal).
A glicemia sérica é crucial para interpretar a glicose do líquor, pois a glicose no líquor é aproximadamente 60% da glicemia sérica. A hipoglicorraquia é definida por um valor absoluto baixo ou por uma relação líquor/sangue inferior a 0,4.
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