São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Quais são as principais diferenças entre os achados laboratoriais no líquido cefalorraquidiano (LCR) de pacientes com meningite viral em comparação com a meningite bacteriana?
LCR: Meningite viral → ↑Proteínas (moderado), ↑Leucócitos (linfocíticos), Glicose normal. Bacteriana → ↑↑Proteínas, ↑↑Leucócitos (neutrofílicos), ↓Glicose.
A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é crucial para diferenciar meningite viral de bacteriana, guiando o tratamento. A contagem celular, a predominância de células, os níveis de glicose e proteínas são os principais marcadores que auxiliam nessa distinção diagnóstica.
A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é um pilar fundamental no diagnóstico e diferenciação das meningites, condições inflamatórias das meninges que podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos ou outros agentes. A distinção entre meningite viral e bacteriana é de suma importância clínica, pois o manejo e o prognóstico são drasticamente diferentes, com a meningite bacteriana exigindo tratamento antibiótico empírico imediato devido ao seu potencial de morbimortalidade elevada. A fisiopatologia da meningite viral geralmente envolve uma resposta inflamatória mais branda, com o vírus replicando-se nas células do hospedeiro sem um consumo significativo de glicose ou uma resposta neutrofílica maciça. Em contraste, a meningite bacteriana é caracterizada por uma intensa resposta inflamatória purulenta, com proliferação bacteriana, consumo de glicose e uma forte migração de neutrófilos para o espaço subaracnóideo, resultando em alterações mais dramáticas no LCR. Para residentes, é essencial dominar os padrões do LCR: na meningite viral, espera-se LCR claro, proteínas moderadamente elevadas, glicose normal e pleocitose linfocítica. Já na meningite bacteriana, o LCR é tipicamente turvo, com proteínas muito elevadas, glicose baixa e pleocitose neutrofílica acentuada. Esses parâmetros, juntamente com a coloração de Gram e cultura, guiam a decisão terapêutica e evitam o uso desnecessário de antibióticos ou o atraso no tratamento de uma infecção bacteriana grave.
Na meningite viral, o LCR geralmente apresenta elevação moderada de proteínas, contagem de leucócitos normal ou ligeiramente elevada (geralmente <500 células/mm³), com predomínio linfocítico, e níveis de glicose normais.
A meningite bacteriana tipicamente mostra LCR turvo, elevação acentuada de proteínas (>100 mg/dL), contagem de leucócitos muito elevada (geralmente >1000 células/mm³), com predomínio neutrofílico, e níveis de glicose baixos (<40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica).
A glicose no LCR é consumida pelas bactérias, resultando em hipoglicorraquia na meningite bacteriana. Na meningite viral, as células do hospedeiro não consomem glicose de forma significativa, mantendo os níveis normais.
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