IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020
Um recém-nascido de 36 semanas de idade gestacional, nasceu de parto normal, banhado com líquido amniótico meconial, em boas condições, com choro vigoroso e bom tônus. Qual é a conduta a ser tomada com esse recém-nascido logo após o nascimento?
RN com líquido meconial, vigoroso (choro, tônus) → clampeamento tardio e contato pele a pele.
A presença de líquido amniótico meconial em um recém-nascido que nasce vigoroso (chora, respira, tem bom tônus) não exige aspiração de vias aéreas ou clampeamento imediato. Nesses casos, a conduta é a mesma de um RN sem mecônio, priorizando o clampeamento tardio e o contato pele a pele.
A presença de líquido amniótico meconial ocorre em aproximadamente 10-15% dos partos e é um achado que historicamente gerava preocupação e intervenções rotineiras. No entanto, as diretrizes atuais de reanimação neonatal enfatizam que a conduta deve ser guiada pela avaliação da vitalidade do recém-nascido ao nascer, e não apenas pela presença do mecônio. A Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) é uma complicação grave, mas ocorre principalmente em RNs que não nascem vigorosos. Um recém-nascido que nasce com líquido meconial, mas apresenta choro vigoroso, bom tônus muscular e respiração eficaz, é considerado vigoroso. Nesses casos, não há indicação de aspiração de vias aéreas (boca e narinas) ou de aspiração traqueal de rotina. A intervenção agressiva pode, inclusive, causar mais danos do que benefícios. A conduta para um RN vigoroso com mecônio é a mesma de um RN sem mecônio: clampeamento tardio do cordão umbilical (que oferece benefícios como maior volume sanguíneo e reservas de ferro) e contato pele a pele com a mãe para promover o vínculo e a amamentação. A observação cuidadosa para sinais de desconforto respiratório é importante, mas as intervenções devem ser mínimas e baseadas na avaliação clínica contínua.
Se o RN com líquido meconial não estiver vigoroso (hipotônico, não chora, respiração irregular), ele deve ser levado à mesa de reanimação para os passos iniciais de estabilização, incluindo aspiração da boca e narinas, e avaliação da necessidade de aspiração traqueal.
O clampeamento tardio do cordão umbilical oferece benefícios como maior volume sanguíneo para o RN, aumento das reservas de ferro, e menor risco de anemia, sem aumentar o risco de icterícia significativa.
Não, a prematuridade tardia (36 semanas) por si só não altera a conduta de um RN vigoroso com mecônio. A vitalidade ao nascer é o fator determinante para decidir entre os cuidados de rotina ou a necessidade de reanimação.
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