HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
Durante o acompanhamento do parto de uma gestante sabidamente hipertensa, que fez o pré-natal com uso de medicação e bom controle dos níveis pressóricos, com 39 semanas de gestação, identifica-se que o líquido amniótico tem aspecto meconial. O recém-nascido, está chorando ativamente e tem frequência cardíaca de cerca de 110 bpm. Qual a conduta correta?
RN vigoroso com líquido meconial → clampeamento tardio do cordão e cuidados de rotina, NÃO aspirar traqueia.
Em recém-nascidos vigorosos (choro ativo, tônus bom, FC > 100 bpm) nascidos através de líquido amniótico meconial, a conduta correta é o clampeamento tardio do cordão umbilical e os cuidados de rotina. Não há indicação de aspiração traqueal de rotina, pois isso não previne a Síndrome de Aspiração Meconial e pode causar bradicardia.
O líquido amniótico meconial é um achado comum no parto, ocorrendo em cerca de 10-15% das gestações a termo. Embora possa ser um sinal de sofrimento fetal, a maioria dos recém-nascidos expostos ao mecônio nasce vigorosa e não desenvolve a Síndrome de Aspiração Meconial (SAM). A SAM é uma condição grave que pode levar a desconforto respiratório e hipoxemia. As diretrizes atuais de reanimação neonatal (como as da Sociedade Brasileira de Pediatria e AHA/AAP) enfatizam que a conduta deve ser guiada pela avaliação do recém-nascido ao nascer, e não apenas pela presença de mecônio. Se o recém-nascido for vigoroso (choro ativo, bom tônus muscular, frequência cardíaca > 100 bpm), a conduta é a mesma de um recém-nascido sem mecônio: cuidados de rotina, incluindo o clampeamento tardio do cordão umbilical. A aspiração de rotina da orofaringe e traqueia em recém-nascidos vigorosos com líquido meconial não é mais recomendada, pois não demonstrou benefício na prevenção da SAM e pode causar efeitos adversos. O clampeamento tardio do cordão, por outro lado, oferece benefícios significativos ao recém-nascido, como melhora dos estoques de ferro e menor risco de anemia, sendo a conduta preferencial em bebês estáveis.
O clampeamento tardio do cordão é contraindicado em recém-nascidos que necessitam de reanimação imediata, como aqueles com asfixia grave, ou em situações de instabilidade hemodinâmica materna.
O clampeamento tardio do cordão permite a passagem de um volume significativo de sangue placentário para o recém-nascido, o que melhora os níveis de hemoglobina, reduz a necessidade de transfusão e diminui o risco de hemorragia intraventricular em prematuros.
Se o recém-nascido com líquido meconial não for vigoroso (hipotônico, choro fraco, FC < 100 bpm), deve-se iniciar as etapas da reanimação neonatal, incluindo ventilação com pressão positiva, sem aspiração traqueal de rotina, a menos que haja obstrução evidente das vias aéreas.
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