Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Criança de 3 anos, ainda usuária de fraldas, é trazida pela mãe com história de prurido vulvar há seis meses acompanhada de aparecimento de lesão esbranquiçada em vulva acometendo clitóris, pequenos lábios e região perianal, em formato de “oito”. Tal lesão apresenta distribuição bilateral e simétrica. O principal diagnóstico a ser considerado e a melhor terapêutica neste caso seriam:
Líquen escleroso infantil: lesão esbranquiçada em 'oito' vulvar/perianal + prurido → Corticoide tópico potente.
A descrição de lesão esbranquiçada em formato de 'oito' acometendo vulva e região perianal, com prurido crônico em criança, é altamente sugestiva de líquen escleroso. O tratamento de escolha é o uso de corticosteroides tópicos de alta potência, que geralmente resultam em melhora significativa dos sintomas e das lesões.
O líquen escleroso é uma doença inflamatória crônica da pele e mucosas, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente a região anogenital. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é relativamente comum em meninas pré-púberes, sendo uma causa importante de prurido vulvar crônico nessa faixa etária. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como cicatrizes, sinéquias e, em casos raros, o risco aumentado de carcinoma espinocelular na vida adulta. Clinicamente, o líquen escleroso em crianças se manifesta por lesões esbranquiçadas, atróficas e brilhantes, que podem coalescer e formar placas. A distribuição característica é em formato de 'oito', envolvendo o clitóris, pequenos lábios, períneo e região perianal. O prurido é o sintoma mais comum e pode ser intenso, levando a escoriações e fissuras. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a biópsia pode ser realizada em casos atípicos ou para excluir outras condições. O tratamento de escolha para o líquen escleroso infantil é o uso de corticosteroides tópicos de alta potência, como o propionato de clobetasol 0,05%. A aplicação diária por um período inicial de 6 a 12 semanas, seguida por um esquema de manutenção, geralmente resulta em melhora significativa dos sintomas e das lesões. É fundamental orientar os pais sobre a aplicação correta e a importância da adesão ao tratamento para controlar a doença e evitar recidivas. O acompanhamento regular é necessário para monitorar a resposta terapêutica e identificar possíveis complicações.
O líquen escleroso em crianças geralmente se manifesta com prurido vulvar intenso e crônico, lesões esbranquiçadas, atróficas e brilhantes na vulva e região perianal, frequentemente em formato de 'oito'. Pode haver fissuras, equimoses e, em casos avançados, sinéquias.
O tratamento de primeira linha é o uso de corticosteroides tópicos de alta potência, como o clobetasol, aplicados uma vez ao dia por várias semanas, seguido de um esquema de manutenção. Isso controla os sintomas e previne a progressão da doença.
A diferenciação se baseia na morfologia das lesões: líquen escleroso apresenta lesões esbranquiçadas, atróficas, com padrão em 'oito'. Dermatite de fraldas é eritematosa e irritativa. Vulvovaginite pode ter corrimento e eritema difuso. A biópsia pode ser necessária em casos atípicos.
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