UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 59 anos, sem comorbidades, foi diagnosticado com sarcoma em coxa direita. A investigação com exames de imagem identificou tumoração de aspecto heterogêneo, com 8cm de diâmetro, localizada na porção anterolateral da coxa, sem comprometimento cutâneo ou do feixe vasculonervoso. Também não foram identificadas metástases nodais ou viscerais. A biópsia percutânea mostrou lipossarcoma pleomórfico de alto grau. A conduta inicial adequada, nesse caso, é:
Sarcoma de alto grau > 5cm → Quimioterapia neoadjuvante para controle sistêmico e redução local.
Para sarcomas de partes moles de alto grau e grandes (>5cm), a quimioterapia neoadjuvante é a conduta inicial para tratar micrometástases e facilitar a cirurgia preservadora.
O manejo dos sarcomas de partes moles exige uma abordagem multidisciplinar. O lipossarcoma pleomórfico, sendo um tumor de alto grau, apresenta um comportamento biológico muito distinto dos lipossarcomas de baixo grau. O tamanho do tumor (8cm) e a graduação histológica são os principais preditores de risco de metástase a distância. A quimioterapia neoadjuvante, geralmente baseada em regimes com antraciclinas e ifosfamida, é recomendada para pacientes com tumores de alto grau localmente avançados. Além de tratar a doença sistêmica, a resposta à quimioterapia fornece informações prognósticas valiosas. Após a neoadjuvância, o paciente é reavaliado para a ressecção cirúrgica definitiva, visando sempre a máxima preservação funcional sem comprometer a segurança oncológica.
A quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória) em sarcomas de partes moles de alto grau e tamanho considerável (>5cm) tem dois objetivos principais: o controle sistêmico precoce de micrometástases ocultas e a redução do volume tumoral local. A redução da massa pode facilitar uma ressecção cirúrgica com margens livres e aumentar as chances de preservação do membro e da função neuromuscular, evitando procedimentos mutilantes como a desarticulação.
O lipossarcoma pleomórfico é o subtipo mais raro e agressivo dos lipossarcomas. Diferente do lipossarcoma bem diferenciado, ele é um sarcoma de alto grau que não possui a amplificação do gene MDM2. Histologicamente, apresenta pleomorfismo celular acentuado e lipoblastos. Devido ao seu alto potencial metastático (especialmente para os pulmões) e alta taxa de recorrência local, exige um tratamento agressivo e multimodal.
A cirurgia com margens amplas (R0) continua sendo o pilar do tratamento curativo. No entanto, ela raramente é feita de forma isolada em tumores de alto grau. A estratégia atual envolve a combinação de cirurgia com radioterapia (pré ou pós-operatória) e, em casos selecionados de alto risco como o descrito, quimioterapia. A desarticulação só é considerada quando o tumor invade estruturas vitais de forma que a ressecção oncológica tornaria o membro não funcional.
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