PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
PCF, 58 anos, sexo feminino, engenheira, relata empachamento pós-prandial desde há cerca de um mês, que foi se intensificando a ponto de conseguir ingerir somente uma quantidade muito pequena de alimentos. Apresentou emagrecimento de cerca de 5 kg com a moléstia atual. Ao exame físico, foi palpada massa no epigástrio e quadrante superior esquerdo. Realizou tomografia de abdome, onde foi vista tumoração sólida retroperitoneal de formato ovoide, com cerca de 18cm de diâmetro, heterogênea, com aspecto sugestivo de conter gordura macroscópica em seu interior, comprimindo e desviando o estômago cranialmente e anteriormente, e deslocando o cólon transverso caudalmente e o rim, anteriormente. Não há evidências radiológicas de invasão local ou metástase à distância. Em relação a este caso, assinale a alternativa ERRADA:
Massa retroperitoneal sólida no adulto = Maligna (Sarcoma) até prova em contrário.
A maioria das massas retroperitoneais primárias em adultos é maligna (80%), sendo o lipossarcoma o tipo mais comum, caracterizado pela presença de gordura na tomografia.
Tumores retroperitoneais primários são raros, mas cerca de 80% são malignos, com os sarcomas de partes moles (lipossarcoma e leiomiossarcoma) liderando as estatísticas. O lipossarcoma é notório por atingir grandes dimensões antes de causar sintomas, que geralmente são vagos como empachamento ou massa palpável. A via de acesso preferencial é a laparotomia mediana ampla para permitir o controle vascular e a ressecção segura. O prognóstico depende fundamentalmente da ressecabilidade completa e do grau histológico do tumor.
Em tumores retroperitoneais com suspeita de sarcoma que são claramente ressecáveis por imagem, a biópsia percutânea pré-operatória é geralmente evitada. O principal motivo é o risco de 'seeding' (disseminação de células tumorais pelo trajeto da agulha), o que pode transformar uma doença localizada em disseminação peritoneal. Além disso, a biópsia por agulha grossa pode não ser representativa devido à heterogeneidade do tumor (áreas de diferentes graus histológicos).
Na tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o lipossarcoma frequentemente se apresenta como uma massa volumosa que desloca órgãos adjacentes (como rim e estômago) sem necessariamente invadi-los inicialmente. A presença de gordura macroscópica (densidade negativa na TC) é um achado altamente sugestivo. Áreas sólidas, septos espessos e realce heterogêneo indicam componentes de maior grau (lipossarcoma desdiferenciado).
O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica completa com margens negativas (R0). Frequentemente, isso exige uma ressecção compartimental, que inclui a retirada do tumor em bloco com órgãos adjacentes (como rim, cólon ou pâncreas distal), mesmo que não haja invasão macroscópica evidente, para garantir a remoção de extensões microscópicas e reduzir a alta taxa de recorrência local.
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