HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Menino de 5 anos de idade é levado pela mãe em consulta ambulatorial, em virtude do surgimento de "caroços" em região cervical há 7 dias. Refere que, há 10 dias, o paciente apresentou quadro de rinorreia, tosse seca e febre (37,9ºC). Apresentou resolução espontânea do quadro após 3 dias, período no qual notou o surgimento de um abaulamento em região cervical. Ao exame físico, apresentava apenas múltiplas formações nodulares, fusiformes, fibroelásticas, móveis, discretamente dolorosas, medindo até 1,0cm de diâmetro bilateralmente em região cervical. A imagem da inspeção cervical pode ser vista a seguir: Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Linfonodomegalia cervical pós-viral em criança, móvel e dolorosa → Quadro reacional benigno, conduta expectante.
Linfonodomegalia cervical em crianças, especialmente após um quadro viral de vias aéreas superiores, é frequentemente de natureza reacional benigna. Características como mobilidade, discreta dor e tamanho < 1-2 cm, sem sinais de alarme, indicam conduta expectante e tranquilização familiar.
A linfonodomegalia cervical é uma queixa comum na pediatria, e sua avaliação requer uma abordagem sistemática para diferenciar causas benignas de malignas. Em crianças, a maioria dos linfonodos aumentados é de natureza reacional, ou seja, uma resposta imunológica a infecções, especialmente as virais de vias aéreas superiores. A história clínica detalhada, incluindo a presença de sintomas prodrômicos como rinorreia e tosse, é crucial para o diagnóstico. No caso apresentado, o menino de 5 anos teve um quadro viral prévio, seguido pelo surgimento de linfonodos cervicais. As características ao exame físico – múltiplas formações nodulares, fusiformes, fibroelásticas, móveis, discretamente dolorosas, medindo até 1,0 cm de diâmetro bilateralmente – são altamente sugestivas de adenopatia reacional benigna. Linfonodos com essas características, especialmente em crianças e após infecções virais, raramente indicam malignidade. A conduta mais apropriada neste cenário é tranquilizar a mãe sobre a provável natureza benigna do quadro e informar que não há necessidade de exames complementares neste momento. O acompanhamento clínico é suficiente, orientando os pais a observar sinais de alarme como aumento progressivo do tamanho, endurecimento, fixação, dor intensa, ou surgimento de sintomas sistêmicos. A superinvestigação de quadros benignos pode gerar ansiedade desnecessária e expor a criança a procedimentos invasivos sem indicação.
Linfonodos benignos são geralmente móveis, fibroelásticos, discretamente dolorosos, com diâmetro inferior a 2-3 cm, e frequentemente associados a infecções recentes de vias aéreas superiores. A ausência de sinais sistêmicos de alarme também é indicativa.
Sinais de alarme incluem linfonodos maiores que 2-3 cm, fixos, endurecidos, indolores, supraclaviculares, ou associados a febre prolongada, perda de peso, sudorese noturna ou hepatoesplenomegalia. Nesses casos, a investigação é mandatória.
A conduta inicial é tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna e autolimitada do quadro, e realizar acompanhamento clínico. Exames complementares só são indicados se houver sinais de alarme ou persistência/progressão do aumento ganglionar após 4-6 semanas.
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