UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Criança de 3 anos é trazida para atendimento com quadro de aumento de volume cervical há 12 dias. A família relata febre (39°C) há cinco dias e nega emagrecimento. Informa que, há sete dias, procurou o pronto atendimento e que a criança está em uso de amoxicilina-clavulanato, sem melhora do quadro clínico. Acrescenta que não há história de internações prévias, que a vacinação está em dia e que reside em boas condições de saneamento básico. Há um mês, viajaram para a casa da avó, em região urbana, com animais domésticos (cachorro e filhote de gato). Ao exame físico, verifica-se que a criança está em bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica, afebril, eupneica e normocárdica. Há três pequenas pápulas em região maxilar à esquerda em disposição linear. Na região cervical anterior, à esquerda, palpa-se linfonodomegalia de 3cm, dolorosa, móvel, com sinais de hiperemia local; não há outras linfonodomegalias palpáveis; abdômen sem alterações e orofaringe normal. O hemograma mostra 10.000 leucócitos/mm³, Hgb = 11g/dL e 200.000 plaquetas.De acordo com o caso relatado: Considere que, após oito semanas do término do tratamento adequado, não houve diminuição do linfonodo cervical e indique a conduta adequada.
Linfonodomegalia cervical persistente em criança, sem resposta a ATB, exige investigação aprofundada, incluindo biópsia excisional.
Linfonodomegalia cervical que não regride após tratamento antibiótico adequado, especialmente com história de contato com animais, deve levantar a suspeita de causas não bacterianas comuns, como doença da arranhadura do gato ou micobacterioses atípicas, e pode necessitar de biópsia para diagnóstico definitivo.
A linfonodomegalia cervical é uma queixa comum na pediatria, geralmente de etiologia infecciosa benigna e autolimitada. No entanto, a persistência do aumento de volume linfonodal por mais de 4-6 semanas, especialmente sem resposta a um curso adequado de antibióticos, exige uma investigação mais aprofundada para descartar causas menos comuns ou mais graves. O caso clínico apresenta uma criança com linfonodomegalia cervical persistente, febre e contato com animais, sugerindo a necessidade de considerar etiologias como a doença da arranhadura do gato (Bartonella henselae) ou micobacterioses atípicas. A falha do tratamento empírico com amoxicilina-clavulanato reforça a necessidade de reavaliação diagnóstica. A conduta adequada para uma linfonodomegalia persistente e não responsiva inclui exames laboratoriais complementares (sorologias, PPD), exames de imagem (ultrassonografia, tomografia) e, frequentemente, a biópsia excisional do linfonodo. A biópsia permite a análise histopatológica e microbiológica, fornecendo o diagnóstico definitivo e orientando o tratamento específico, sendo crucial para excluir malignidades como linfomas.
As causas incluem infecções virais (Epstein-Barr, citomegalovírus), bacterianas atípicas (micobactérias não tuberculosas, Bartonella henselae - doença da arranhadura do gato), parasitárias (toxoplasmose) e, menos frequentemente, malignidades como linfomas ou metástases.
A biópsia excisional é indicada quando a linfonodomegalia é persistente (mais de 4-6 semanas), não responsiva ao tratamento empírico, apresenta características suspeitas (maior que 3 cm, consistência endurecida, fixo, supraclavicular) ou há sinais sistêmicos de alarme.
O contato com animais domésticos, especialmente filhotes de gatos, é um fator de risco para a Doença da Arranhadura do Gato (Bartonellose), causada pela bactéria Bartonella henselae. Esta condição frequentemente se manifesta com linfonodomegalia regional, que pode ser persistente.
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