Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Pré-escolar, de 3 anos e 6 meses, apresenta coriza e tosse há 4 dias. Teve febre no primeiro dia do quadro. No exame físico, existe um linfonodo palpável de 1,5 cm na cadeia cervical anterior direita que é fibroelástico, móvel e levemente doloroso. Não há eritema ou calor local. O restante dos achados do exame físico é normal. O próximo passo mais apropriado no manejo desse paciente é:
Linfonodo cervical < 2cm, móvel, doloroso, pós-infecção viral em pré-escolar → Acompanhamento clínico.
Linfonodos cervicais palpáveis são comuns em crianças, especialmente após infecções virais de vias aéreas superiores. Características como tamanho pequeno (<2cm), mobilidade, consistência fibroelástica e leve dor à palpação, na ausência de sinais inflamatórios locais ou sistêmicos graves, sugerem uma etiologia reacional benigna que requer apenas acompanhamento clínico.
A linfonodomegalia cervical é um achado extremamente comum na pediatria, sendo uma das principais queixas que levam os pais a procurar atendimento médico. Na maioria dos casos, representa uma resposta imunológica benigna a infecções, especialmente virais, e é autolimitada. A importância clínica reside em saber diferenciar as causas benignas das malignas ou infecciosas que requerem intervenção, evitando ansiedade desnecessária e procedimentos invasivos. A fisiopatologia da linfonodomegalia reacional envolve a proliferação de linfócitos dentro do linfonodo em resposta a um estímulo antigênico, geralmente de uma infecção próxima. O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada (ex: infecções recentes, exposição) e no exame físico cuidadoso das características do linfonodo (tamanho, consistência, mobilidade, sensibilidade, sinais inflamatórios locais) e na presença de sintomas sistêmicos. Em pré-escolares, linfonodos menores que 2 cm, móveis, fibroelásticos e levemente dolorosos, especialmente após um quadro viral, são quase sempre reacionais. O tratamento para linfonodos reacionais benignos é o acompanhamento clínico, com reavaliação periódica. Antibioticoterapia só é indicada se houver forte suspeita de infecção bacteriana (ex: adenite supurativa). Exames complementares como ultrassonografia, sorologias ou biópsia são reservados para casos com características atípicas, persistência ou progressão, ou sinais de alerta para malignidade. O prognóstico da linfonodomegalia reacional é excelente, com resolução espontânea na maioria das vezes.
Linfonodos benignos são geralmente menores que 2 cm, móveis, de consistência fibroelástica, levemente dolorosos e sem sinais de inflamação local (eritema, calor). Frequentemente, surgem após infecções virais de vias aéreas superiores.
Sinais de alerta incluem linfonodos maiores que 2-3 cm, fixos, endurecidos, não dolorosos, supraclaviculares, ou associados a sintomas sistêmicos como febre prolongada, perda de peso, sudorese noturna, ou ausência de resolução após 4-6 semanas.
As causas mais comuns são reacionais a infecções virais (ex: resfriado comum, mononucleose) ou bacterianas (ex: faringite estreptocócica). Outras causas incluem doença da arranhadura do gato, toxoplasmose e, menos frequentemente, neoplasias.
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