Linfonodomegalia em Adolescentes: Suspeita e Diagnóstico de Linfoma

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente de 13 anos, sexo masculino, comparece com a responsável à consulta ambulatorial com queixa de massa em região cervical esquerda de crescimento lento há três meses. Ao exame, palpa-se linfonodo único, medindo aproximadamente 3cm x 3,5cm, indolor e sem sinais flogísticos, lesões cutâneas ou outras linfonodomegalias associadas. Paciente nega perda ponderal, relata febre não aferida e sudorese noturna no período. O adolescente reside em apartamento, em área urbana, sem contato com animais ou terra no dia a dia. A hipótese diagnóstica mais provável e o exame complementar indicado para confirmação, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) leucemia / biópsia de medula óssea
  2. B) linfoma / biópsia excisional de linfonodo
  3. C) tuberculose ganglionar / BAAR do escarro
  4. D) paracoccidioidomicose /punção aspirativa por agulha fina

Pérola Clínica

Linfonodomegalia persistente + sintomas B (febre, sudorese noturna) em adolescente → suspeitar linfoma.

Resumo-Chave

A presença de linfonodomegalia persistente em adolescentes, especialmente se associada a sintomas constitucionais como febre, sudorese noturna e perda ponderal (sintomas B), levanta forte suspeita para linfoma. A biópsia excisional do linfonodo é crucial para o diagnóstico histopatológico definitivo.

Contexto Educacional

A linfonodomegalia em adolescentes é uma queixa comum, mas a persistência e a associação com sintomas sistêmicos, como febre não aferida e sudorese noturna (sintomas B), devem levantar a suspeita de malignidade, especialmente linfoma. O caso descreve um linfonodo único, indolor e de crescimento lento, características que, embora inespecíficas, são compatíveis com um processo neoplásico. A investigação de uma linfonodomegalia suspeita deve seguir uma abordagem sistemática. Em casos onde há persistência, aumento de tamanho, características atípicas (fixo, indolor, supraclavicular) ou presença de sintomas B, a biópsia excisional do linfonodo é o padrão-ouro para o diagnóstico. Este procedimento permite a análise histopatológica completa, incluindo imuno-histoquímica, que é fundamental para diferenciar entre os subtipos de linfoma (Hodgkin e não Hodgkin) e outras condições. Outras causas de linfonodomegalia, como infecções (bacterianas, virais, fúngicas, micobacterianas) ou doenças autoimunes, devem ser consideradas, mas a presença dos sintomas B e a ausência de sinais flogísticos ou contato epidemiológico relevante para infecções atípicas direcionam a investigação para causas neoplásicas. A biópsia excisional é crucial para um diagnóstico preciso e para o planejamento terapêutico adequado, que pode incluir quimioterapia e/ou radioterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os "sintomas B" e por que são importantes na avaliação de linfonodomegalias?

Os sintomas B incluem febre inexplicável (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso (>10% em 6 meses). Sua presença em linfonodomegalias aumenta a suspeita de linfoma.

Qual a diferença entre biópsia excisional e punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para diagnóstico de linfoma?

A biópsia excisional remove o linfonodo inteiro, permitindo análise arquitetural e imuno-histoquímica completa, essencial para o diagnóstico e subtipagem do linfoma, enquanto a PAAF pode ser insuficiente.

Quando uma linfonodomegalia em adolescente deve ser investigada para malignidade?

Linfonodos maiores que 2-3 cm, persistentes por mais de 4-6 semanas, fixos, indolores, supraclaviculares, ou associados a sintomas B, devem levantar suspeita e ser investigados.

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