HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Paciente masculino, 32 anos de idade, procurou atendimento médico. Há três meses com astenia e emagrecimento, febre intermitente, icterícia e aumento do volume da região cervical direita (D). Ao exame físico, os achados são: ictérico++, hipocorado++, hepatoesplenomegalia, massa na região submandibular D de limites mal definidos e consistência endurecida. Palpam-se linfonodos aumentados nas cadeias axilares e inguinais, bilateralmente. Nega histórico de doença pessoal ou familiar, além do uso de drogas ou álcool. Laboratório inicial: Hb = 10.4 g/dl; leucócitos = 4.680/mm3; plaquetas = 52.000/mm3 ; bilT = 13.7 mg/dl; biD = 10.6 mg/dl; TGO = 116 UI/l; TGP = 157 UI/l; FA = 1.289 UI/l; GGT = 1.456 UI/l; albumina = 2.8 g/dl; LDH = 1.350 UI/l. Solicitado teste rápido para HIV, com resultado positivo. O diagnóstico mais provável para o caso acima é:
Linfadenopatia generalizada + hepatoesplenomegalia + sintomas B + HIV + LDH ↑ → suspeitar Linfoma não Hodgkin.
Pacientes com HIV têm maior risco de desenvolver linfomas não Hodgkin, que frequentemente se apresentam com doença avançada, sintomas B, linfadenopatia generalizada e envolvimento extranodal, como hepatoesplenomegalia. A elevação de LDH é um marcador de alta proliferação tumoral e mau prognóstico.
O Linfoma não Hodgkin (LNH) é uma das malignidades mais comuns em pacientes com infecção pelo HIV, especialmente naqueles com imunossupressão avançada. A incidência de LNH em pessoas vivendo com HIV é significativamente maior do que na população geral, e a apresentação clínica tende a ser mais agressiva, com doença extranodal frequente e rápida progressão. É crucial que estudantes e residentes estejam atentos a este diagnóstico diferencial em pacientes HIV positivos com sintomas constitucionais e linfadenopatia. O diagnóstico de LNH em pacientes HIV positivos muitas vezes se manifesta com sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso), linfadenopatia generalizada e envolvimento extranodal, como hepatoesplenomegalia, como visto no caso. Alterações laboratoriais como anemia, trombocitopenia e elevação da desidrogenase láctica (LDH) são comuns e indicam alta atividade tumoral. A biópsia do linfonodo ou do sítio extranodal afetado é essencial para o diagnóstico histopatológico e imunofenotípico, que guiará o tratamento. O manejo do LNH em pacientes com HIV envolve quimioterapia, muitas vezes adaptada à condição imunológica do paciente, e otimização da terapia antirretroviral (TARV). O prognóstico melhorou significativamente com a TARV, mas ainda é um desafio devido à agressividade da doença e às comorbidades associadas ao HIV. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar os desfechos.
Sinais de alerta incluem linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia, sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso), e alterações laboratoriais como LDH elevado e citopenias, especialmente trombocitopenia.
A desidrogenase láctica (LDH) é uma enzima liberada por células com alta taxa metabólica e proliferação, sendo um marcador inespecífico de lesão tecidual, mas frequentemente elevada em linfomas devido à alta carga tumoral e turnover celular.
Os principais tipos de linfoma não Hodgkin associados ao HIV são o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), linfoma de Burkitt e linfoma primário de efusões. Linfoma de Hodgkin também pode ocorrer, mas é menos comum.
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