Linfoma MALT Gástrico: Conduta e Relação com H. pylori

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 66 anos, apresenta queixas gastrointestinais. EDA: alterações da mucosa. Teste da urease positivo. Biopsia confirmou linfoma do tipo MALT. No estadiamento, não se observou lesões extra gástricas. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Gastrectomia.
  2. B) R-CHOP + erradicação do Helicobacter pylori.
  3. C) Radioterapia + R-CHOP + erradicação do Helicobacter pylori.
  4. D) Erradicação do Helicobacter pylori.

Pérola Clínica

Linfoma MALT gástrico inicial + H. pylori (+) → Erradicação bacteriana é o tratamento de 1ª linha.

Resumo-Chave

O linfoma MALT gástrico é dependente do estímulo antigênico crônico do H. pylori; a erradicação da bactéria pode induzir remissão completa em até 80% dos casos localizados.

Contexto Educacional

O linfoma MALT gástrico é um linfoma não-Hodgkin de células B de baixo grau. É o exemplo clássico de uma neoplasia maligna que pode ser curada apenas com o tratamento de um agente infeccioso. O estadiamento é fundamental e geralmente utiliza a classificação de Lugano, baseada em EDA com ecoendoscopia (para avaliar profundidade de invasão e linfonodos) e TC de tórax, abdome e pelve. A conduta de erradicar o H. pylori como terapia única para doença em estágio IE (restrita ao estômago) é amplamente aceita pelas diretrizes internacionais (NCCN, ESMO). A cirurgia (gastrectomia), que era o padrão no passado, hoje é reservada apenas para complicações raras como perfuração ou sangramento incontrolável, priorizando-se sempre a preservação do órgão.

Perguntas Frequentes

Por que a erradicação do H. pylori trata um linfoma?

O linfoma MALT (Tecido Linfoide Associado à Mucosa) gástrico surge de uma proliferação clonal de células B na zona marginal, que é estimulada e mantida pela resposta inflamatória crônica e pelo suporte de células T antígeno-específicas induzidas pela infecção pelo Helicobacter pylori. Em estágios iniciais (restrito à parede gástrica), a sobrevivência das células tumorais ainda é dependente desse estímulo antigênico. Ao erradicar a bactéria, remove-se o estímulo proliferativo, permitindo que o clone neoplásico sofra regressão e o paciente atinja a remissão completa.

Como é feito o seguimento após a erradicação?

Após o tratamento de erradicação do H. pylori, o paciente deve realizar o teste de confirmação da erradicação (teste da ureia respiratória ou antígeno fecal) após 4-8 semanas. O acompanhamento oncológico é feito com endoscopias digestivas altas repetidas com múltiplas biópsias (protocolo de biópsia de mapeamento) a cada 3 a 6 meses no primeiro ano. A remissão histológica pode demorar meses (até 12-18 meses) para ocorrer completamente após a eliminação da bactéria.

Quando a erradicação do H. pylori não é suficiente?

A erradicação isolada pode falhar se: 1) O linfoma for H. pylori negativo; 2) Houver envolvimento de linfonodos perigástricos ou lesões extragástricas (estadiamento avançado); 3) Presença da translocação t(11;18), que confere resistência à terapia de erradicação; ou 4) Invasão profunda da parede gástrica (além da submucosa). Nesses casos, ou se não houver regressão após a erradicação, terapias de segunda linha como radioterapia local envolvida ou quimioterapia (ex: Rituximabe) são indicadas.

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