Linfoma Intraocular Primário: Diagnóstico e Manejo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Sobre o linfoma intraocular primário, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O tratamento de escolha é quimioterapia sistêmica associada à radioterapia.
  2. B) Apesar da gravidade, raramente afeta o sistema nervoso central.
  3. C) A maioria é derivada de linfócitos B de Hodgkin.
  4. D) A citometria de fluxo da amostra vítrea demonstra restrição de cadeias kappa e lambda ou populações de células B.

Pérola Clínica

Linfoma intraocular primário = Linfoma de grandes células B + alta associação com SNC + diagnóstico por citometria.

Resumo-Chave

O diagnóstico padrão-ouro envolve a análise do humor vítreo, onde a citometria de fluxo identifica a clonalidade de células B através da restrição de cadeias leves.

Contexto Educacional

O linfoma intraocular primário (LIOP) é predominantemente um linfoma não-Hodgkin de grandes células B. É uma condição rara, mas grave, que afeta tipicamente pacientes idosos ou imunocomprometidos. A apresentação clássica inclui visão turva e moscas volantes, com infiltrados sub-retinianos branco-amarelados ('leopard skin'). A análise laboratorial do vítreo é desafiadora devido à fragilidade das células neoplásicas. Além da citometria, a dosagem de citocinas (relação IL-10/IL-6 > 1) e a pesquisa de mutações no gene MYD88 por PCR são ferramentas diagnósticas complementares valiosas na prática clínica atual.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico definitivo do linfoma intraocular?

O diagnóstico é realizado através da vitrectomia via pars plana para coleta de amostra vítrea. A análise deve incluir citologia oncótica, imuno-histoquímica e, crucialmente, citometria de fluxo para demonstrar a clonalidade (restrição de cadeias kappa ou lambda) e a presença de marcadores de células B (como CD19, CD20).

Qual a relação entre o linfoma ocular e o sistema nervoso central?

O linfoma intraocular primário é considerado um subgrupo do linfoma primário do sistema nervoso central (LPSNC). Aproximadamente 60-80% dos pacientes com envolvimento ocular desenvolverão lesões no SNC ao longo da vida, exigindo monitoramento rigoroso com RM de crânio.

Por que o linfoma intraocular é chamado de síndrome mascarada?

Ele é chamado assim porque mimetiza clinicamente uma uveíte posterior ou intermediária crônica, apresentando-se com 'vitreíte' que não responde adequadamente a corticosteroides ou apresenta recidivas frequentes após a interrupção do tratamento.

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