Linfoma de Hodgkin: Diagnóstico e Tratamento Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 26 anos de idade, previamente saudável, procurou assistência médica com queixa de “tumor” no pescoço, com aumento progressivo há 3 meses, acompanhado de perda de peso e sudorese noturna. O exame físico apresentava múltiplos nódulos pequenos em cadeias cervical posterior e subclávia, de consistência endurecida, aderidos aos planos profundos e à pele. Foi realizada biópsia da lesão, cuja análise histopatológica evidenciou: material de biópsia de linfonodo apresentando células típicas de Reed-Sternberg circundadas por bandas de material esclerótico. O diagnóstico mais possível e o tratamento inicial correto para esse paciente são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Linfossarcoma e radioterapia.
  2. B) Linfoma de Hodgkin e quimioterapia.
  3. C) Linfoma de Burkitt e remoção cirúrgica.
  4. D) Linfangioma e esclerose com bleomicina.

Pérola Clínica

Células de Reed-Sternberg + Bandas de esclerose + Sintomas B → Linfoma de Hodgkin (Esclerose Nodular).

Resumo-Chave

O Linfoma de Hodgkin apresenta-se tipicamente com linfadenopatia cervical indolor e sintomas constitucionais; o diagnóstico é histopatológico e o tratamento baseia-se em quimioterapia combinada.

Contexto Educacional

O Linfoma de Hodgkin é uma neoplasia linfoide com pico bimodal de incidência (jovens adultos e idosos). O subtipo Esclerose Nodular, sugerido na questão pelas 'bandas de material esclerótico', é a forma mais comum, afetando frequentemente o mediastino e cadeias cervicais de mulheres jovens. A biópsia excisional de linfonodo é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a visualização da arquitetura tecidual e a identificação das células de Reed-Sternberg. Diferente dos linfomas não-Hodgkin, o Hodgkin tende a se disseminar de forma ordenada para cadeias linfonodais contíguas, o que torna o estadiamento clínico e radiológico fundamental para o sucesso do tratamento, que apresenta altas taxas de cura.

Perguntas Frequentes

O que são as células de Reed-Sternberg?

As células de Reed-Sternberg (RS) são o marco histopatológico do Linfoma de Hodgkin. Elas são células gigantes, geralmente binucleadas ou multinucleadas, com nucléolos proeminentes que conferem uma aparência de 'olho de coruja'. Curiosamente, em um linfonodo acometido, as células neoplásicas (RS) representam apenas uma pequena fração da massa tumoral (cerca de 1-5%), sendo o restante composto por um infiltrado inflamatório reativo de linfócitos, plasmócitos e eosinófilos atraídos por citocinas.

Quais são os sintomas B e sua importância?

Os sintomas B incluem febre persistente (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso não intencional (>10% do peso corporal em 6 meses). No Linfoma de Hodgkin, a presença desses sintomas tem grande valor prognóstico e auxilia no estadiamento (sistema de Ann Arbor). Pacientes com sintomas B geralmente apresentam doença mais avançada ou biologicamente mais agressiva, o que pode influenciar a intensidade do tratamento quimioterápico.

Qual o tratamento padrão para o Linfoma de Hodgkin?

O tratamento inicial para o Linfoma de Hodgkin clássico é a quimioterapia. O esquema mais utilizado mundialmente é o ABVD (Adriamicina/Doxorrubicina, Bleomicina, Vinblastina e Dacarbazina). O número de ciclos e a associação com radioterapia dependem do estadiamento e da presença de fatores de risco. Atualmente, a resposta ao tratamento é monitorada precocemente por PET-CT para ajustar a terapia (estratégia adaptada por resposta).

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