Linfoma em Adolescentes: Diagnóstico e Biópsia

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021

Enunciado

João, 15 anos, encontra-se internado na enfermaria de pediatria com história de adenomegalias cervicais e axilares bilaterais associadas à febre vespertina e a calafrios e à perda de peso há 2 meses. O PET/CT apresentou aumento da captação da glicose radioativa nas linfonodomegalias palpáveis, além de outras abdominais e mediastinais.Diante do quadro acima, qual a provável hipótese diagnóstica e a conduta imediata mais adequada?

Alternativas

  1. A) Tuberculose Ganglionar difusa; iniciar esquema RIPE imediatamente.
  2. B) Linfoma não Hodgkin, estágio III; providenciar biópsia de adenomegalia.
  3. C) Mononucleose infecciosa; solicitar hemograma e biópsia de adenomegalia.
  4. D) Linfoma Hodgkin, estágio IV; iniciar imediatamente quimioterapia e radioterapia.
  5. E) Provável metástase ganglionar de hepatocarcinoma; providenciar biópsia de adenomegalia e USG de abdome.

Pérola Clínica

Adenomegalias múltiplas + sintomas B + PET/CT positivo em adolescente → forte suspeita de linfoma. Biópsia é essencial para diagnóstico e subtipagem.

Resumo-Chave

A presença de adenomegalias múltiplas (cervicais, axilares, abdominais, mediastinais) associadas a sintomas B (febre vespertina, calafrios, perda de peso) em um adolescente, com PET/CT mostrando alta captação, é altamente sugestiva de linfoma. A biópsia do linfonodo é a conduta imediata e mais adequada para obter o diagnóstico histopatológico e a subtipagem, que são cruciais para definir o tratamento.

Contexto Educacional

Linfomas são neoplasias do sistema linfático, sendo o Linfoma de Hodgkin (LH) e o Linfoma Não Hodgkin (LNH) os principais tipos. Em adolescentes, ambos podem ocorrer, e o diagnóstico precoce é crucial para o prognóstico. O quadro clínico de adenomegalias persistentes (cervicais, axilares, abdominais, mediastinais) associadas a sintomas sistêmicos, conhecidos como 'sintomas B' (febre vespertina, calafrios, perda de peso), é altamente sugestivo de linfoma. A investigação diagnóstica começa com a suspeita clínica e é complementada por exames de imagem. O PET/CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons/Tomografia Computadorizada) é uma ferramenta valiosa, pois detecta áreas de alta atividade metabólica (captação de glicose radioativa) características de células neoplásicas, auxiliando no estadiamento e na identificação de todos os sítios de doença. A presença de múltiplas cadeias linfonodais envolvidas e sintomas B já indica um estágio avançado da doença. No entanto, a confirmação diagnóstica e a subtipagem do linfoma são obtidas exclusivamente pela biópsia do linfonodo. A biópsia excisional é preferível para fornecer material adequado para análise histopatológica, imuno-histoquímica e, se necessário, estudos moleculares. Somente após o diagnóstico histopatológico e o estadiamento completo é que o plano de tratamento (quimioterapia, radioterapia ou ambos) pode ser definido. Iniciar o tratamento sem a biópsia é um erro grave, pois diferentes tipos de linfoma requerem abordagens terapêuticas distintas.

Perguntas Frequentes

Quais são os 'sintomas B' e por que são importantes no diagnóstico de linfomas?

Os 'sintomas B' incluem febre inexplicável (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso inexplicável (>10% do peso corporal em 6 meses). Sua presença indica doença sistêmica e é um fator prognóstico importante no estadiamento dos linfomas.

Qual o papel do PET/CT no diagnóstico e estadiamento dos linfomas?

O PET/CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons/Tomografia Computadorizada) é crucial para identificar todas as áreas de envolvimento da doença, incluindo linfonodos e órgãos extranodais, que podem não ser visíveis em outros exames. Ele ajuda no estadiamento preciso, na avaliação da resposta ao tratamento e na detecção de recidivas.

Por que a biópsia de linfonodo é a conduta imediata mais adequada?

A biópsia excisional de um linfonodo é essencial para obter tecido suficiente para o diagnóstico histopatológico definitivo, incluindo a subtipagem do linfoma (Hodgkin vs. Não Hodgkin e seus subtipos). Essa informação é fundamental para guiar a escolha do regime de quimioterapia e radioterapia, que são específicos para cada tipo de linfoma.

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