Linfoma de Hodgkin em Adolescentes: Sinais e Diagnóstico

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente de 16 anos procura o ambulatório com queixa de febre baixa diária há 4 semanas associada a prostração, perda ponderal de 3 kg e episódios de sudorese intensa em algumas noites. Nega tosse, vômitos e diarreia. Nega viagens recentes e exposição a lagos e rios. Reside na zona sul do município do Rio de Janeiro. Nega contato com tossidores crônicos. Mora com os pais e afirma não ter contato com animais domésticos. Nega ter tido relação sexual. Durante o exame físico, apresenta linfonodos palpáveis indolores e firmes nas regiões cervical posterior bilateral e supraclaviculares. Esplenomegalia palpável a 6 cm do rebordo costal esquerdo. Os exames laboratoriais demonstram VHS=100mmHg; cobre e ferritina séricos aumentados, pesquisa de BAAR no escarro negativo e sorologias IgM e IgG para HIV, Epstein bar vírus e Citomegalovírus negativas. Qual é o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Doença da arranhadura do gato.
  2. B) Esquistossomose.
  3. C) Mononucleose Infecciosa.
  4. D) Linfoma de Hodgkin.

Pérola Clínica

Febre, perda peso, sudorese noturna (sintomas B) + linfadenopatia + esplenomegalia + VHS ↑ + sorologias negativas → Linfoma de Hodgkin.

Resumo-Chave

A tríade de febre, perda ponderal e sudorese noturna (sintomas B) em um adolescente com linfadenopatia indolor e esplenomegalia, associada a VHS e marcadores inflamatórios elevados, e com exclusão de infecções comuns (incluindo mononucleose e HIV), é altamente sugestiva de Linfoma de Hodgkin.

Contexto Educacional

O Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia linfoproliferativa que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens, com um segundo pico de incidência em idosos. É caracterizado pela presença das células de Reed-Sternberg e sua apresentação clínica clássica envolve linfadenopatia indolor, geralmente cervical, supraclavicular ou axilar. A suspeita diagnóstica deve ser alta em pacientes com sintomas B (febre, sudorese noturna e perda ponderal) persistentes, que são indicativos de doença sistêmica. O diagnóstico de LH requer uma biópsia excisional de um linfonodo afetado para análise histopatológica e imuno-histoquímica. No caso apresentado, a combinação de sintomas B, linfadenopatia cervical e supraclavicular, esplenomegalia, VHS muito elevado e a negatividade para infecções virais comuns (HIV, EBV, CMV) e outras causas infecciosas (BAAR negativo) aponta fortemente para uma malignidade hematológica. A elevação de cobre e ferritina séricos, embora inespecífica, pode ser vista em processos inflamatórios crônicos e neoplasias. O manejo do LH envolve quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, com altas taxas de cura. É crucial que residentes e estudantes de medicina estejam atentos a essa apresentação clínica para um diagnóstico precoce e encaminhamento adequado, evitando atrasos que possam impactar o prognóstico. A exclusão de causas infecciosas é um passo fundamental no processo diagnóstico diferencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas B e sua importância no Linfoma de Hodgkin?

Os sintomas B incluem febre inexplicada (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso inexplicada (>10% em 6 meses). Sua presença é um fator prognóstico importante e faz parte do estadiamento da doença.

Como diferenciar Linfoma de Hodgkin de mononucleose infecciosa?

Ambas podem causar linfadenopatia e esplenomegalia. No entanto, a mononucleose geralmente tem um curso mais agudo, com sorologias positivas para EBV e linfocitose atípica. O Linfoma de Hodgkin apresenta sintomas B persistentes e sorologias virais negativas.

Qual o papel do VHS e de outros marcadores no diagnóstico de Linfoma de Hodgkin?

O VHS elevado é um marcador inflamatório inespecífico, mas frequentemente presente no Linfoma de Hodgkin e pode ser usado para monitoramento. Níveis aumentados de cobre e ferritina séricos também podem ser observados, refletindo a atividade inflamatória e tumoral.

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