FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Mulher de 27 anos, com quadro de linfonodomegalia cervical há 3 meses, associada a febre, sudorese noturna, emagrecimento de 6 kg (10% do peso habitual) e prurido. Ao exame físico, observaram-se linfonodos fibroelásticos, indolores e coalescentes em região cervical. Realizada biópsia de linfonodo com achado de células de Reed-Sternberg. Com base na sua principal hipótese diagnóstica, qual o exame padrão-ouro para definição terapêutica e prognóstica?
Linfoma de Hodgkin com células de Reed-Sternberg e sintomas B → PET-CT é padrão-ouro para estadiamento e prognóstico.
Em casos de Linfoma de Hodgkin, confirmado por biópsia com células de Reed-Sternberg e presença de sintomas B, o PET-CT é o exame padrão-ouro para o estadiamento preciso da doença. Ele permite identificar todas as áreas de acometimento metabólico ativo, essencial para definir a extensão da doença e guiar a terapia.
O Linfoma de Hodgkin é uma neoplasia linfoproliferativa que se manifesta tipicamente com linfonodomegalia indolor, frequentemente cervical, e pode estar associada a sintomas sistêmicos conhecidos como sintomas B (febre, sudorese noturna e perda de peso). O diagnóstico definitivo é estabelecido pela biópsia de linfonodo, que revela a presença das características células de Reed-Sternberg em um contexto inflamatório. A idade de pico de incidência é bimodal, com um pico em adultos jovens e outro em idosos. Após o diagnóstico histopatológico, o estadiamento da doença é crucial para determinar a extensão do linfoma e guiar a estratégia terapêutica. O sistema de estadiamento mais utilizado é o de Ann Arbor. Nesse contexto, o PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons com Tomografia Computadorizada) emergiu como o exame padrão-ouro. Ele oferece uma avaliação funcional e anatômica combinada, permitindo a detecção de todas as áreas de doença metabolicamente ativa, incluindo sítios extranodais que poderiam passar despercebidos em exames de imagem convencionais como a tomografia computadorizada isolada. O PET-CT não só é fundamental para o estadiamento inicial, mas também desempenha um papel vital na avaliação da resposta ao tratamento (PET pós-tratamento) e na detecção de recidivas. A identificação precisa da extensão da doença por meio do PET-CT é determinante para a escolha do regime quimioterápico e/ou radioterápico, influenciando diretamente o prognóstico e a sobrevida do paciente. Portanto, para residentes, compreender a indicação e a importância do PET-CT no manejo do Linfoma de Hodgkin é essencial.
Os principais sinais e sintomas que levam à suspeita de Linfoma de Hodgkin incluem linfonodomegalia indolor e progressiva, mais comumente cervical ou supraclavicular. Além disso, a presença de sintomas B (febre inexplicável >38°C, sudorese noturna profusa e perda de peso inexplicável >10% do peso corporal em 6 meses) é um forte indicativo e tem implicação prognóstica.
O PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons com Tomografia Computadorizada) é o padrão-ouro porque combina a informação anatômica da TC com a informação metabólica da PET. Ele consegue identificar áreas de atividade metabólica aumentada, que correspondem a células tumorais, detectando com alta sensibilidade e especificidade o envolvimento de linfonodos e órgãos extranodais, mesmo em locais não visíveis na TC convencional. Isso permite um estadiamento mais preciso e uma avaliação mais acurada da resposta ao tratamento.
As células de Reed-Sternberg são células grandes, multinucleadas ou com núcleo bilobado, características do Linfoma de Hodgkin. Sua identificação na biópsia do linfonodo é patognomônica e essencial para o diagnóstico definitivo da doença. Elas representam a célula neoplásica do linfoma de Hodgkin e são cruciais para a diferenciação de outros tipos de linfomas e condições benignas.
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