Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Homem de 45 anos, previamente hígido, apresenta febre persistente há 20 dias, perda ponderal, sudorese noturna e linfonodomegalias cervicais múltiplas, indolores, de consistência endurecida. A biópsia excisional revela células grandes binucleadas com aspecto de 'olhos de coruja'. Qual a conduta terapêutica inicial mais adequada?
Reed-Sternberg (olhos de coruja) + Sintomas B → Linfoma de Hodgkin → Iniciar ABVD.
O Linfoma de Hodgkin é diagnosticado pela presença de células de Reed-Sternberg em biópsia e o tratamento padrão de primeira linha é a quimioterapia combinada com o esquema ABVD.
O Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia linfoide caracterizada por uma minoria de células malignas (Reed-Sternberg) imersas em um rico infiltrado inflamatório reativo. Possui uma distribuição etária bimodal, com picos em adultos jovens e idosos. O quadro clínico clássico envolve linfonodomegalia cervical ou mediastinal indolor, de consistência 'borrachácea' ou endurecida. O diagnóstico definitivo exige biópsia excisional do linfonodo; a punção por agulha fina (PAAF) é insuficiente por não avaliar a arquitetura tecidual. O estadiamento é feito pelo sistema de Ann Arbor, complementado por PET-CT, que avalia a extensão da doença acima e abaixo do diafragma. O esquema ABVD revolucionou o tratamento, tornando o LH uma das neoplasias mais curáveis da oncologia moderna. A escolha entre quimioterapia isolada ou combinada com radioterapia depende do estadiamento e da presença de fatores de mau prognóstico.
O esquema ABVD é o protocolo de quimioterapia padrão-ouro para o tratamento inicial do Linfoma de Hodgkin. A sigla representa as drogas: Adriamicina (Doxorrubicina), Bleomicina, Vinblastina e Dacarbazina. Geralmente é administrado em ciclos a cada 28 dias (dias 1 e 15 de cada ciclo). É conhecido por sua alta eficácia e taxas de cura elevadas, mesmo em estágios avançados, embora exija monitoramento de toxicidade pulmonar (Bleomicina) e cardíaca (Adriamicina).
As células de Reed-Sternberg são o marco histopatológico do Linfoma de Hodgkin. São células gigantes, geralmente binucleadas com nucléolos proeminentes que conferem o aspecto de 'olhos de coruja'. Elas derivam de linfócitos B do centro germinativo, mas perdem a capacidade de expressar marcadores típicos de células B. Sua identificação em uma biópsia de linfonodo (preferencialmente excisional) é essencial para diferenciar o Linfoma de Hodgkin dos Linfomas Não-Hodgkin.
Os sintomas B incluem febre persistente (>38°C), sudorese noturna profusa e perda ponderal inexplicada (>10% do peso corporal em 6 meses). No Linfoma de Hodgkin, a presença desses sintomas indica uma carga tumoral maior e é utilizada no estadiamento de Ann Arbor (sufixo 'B'). Pacientes com sintomas B geralmente apresentam prognóstico mais reservado e podem necessitar de esquemas terapêuticos mais intensos ou maior número de ciclos de ABVD.
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