Linfoma de Hodgkin: Diagnóstico por Células de Reed-Sternberg

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 24 anos, solteira, parda, costureira, encaminhada para o hospital terciário devido à tumoração na região occipital, indolor, sem sinais inflamatórios locais, de aumento progressivo havia seis meses, associado à cefaleia occipitotemporal leve e esporádica. Sem outras queixas. Antecedente de queda da própria altura há 8 meses, com trauma cranioencefálico leve na região occipital, sem lesões de pele. A paciente relatou ter sido avaliada naquela ocasião em outro serviço, onde se indicou drenagem de hematoma subgaleal (sic) ou exérese cirúrgica, porém a paciente não aceitou o procedimento. Ao ser investigada no ambulatório de clínica médica, foi detectado nos exames de imagem aumento de mediastino. A Tomografia Computadorizada (TC) de tórax evidenciou tumoração no mediastino anterior, nódulo pulmonar à esquerda, linfonodomegalia hilar à direita. A TC de abdome mostrou hepatomegalia, esplenomegalia com nódulo sólido de 7 x 7,2 cm e a TC de crânio apontou erosão óssea focal de região occipital direita, massa heterogênea de partes moles na região occipitoparietal bilateral, que se estendia para o interior da calota craniana, promovendo efeito expansivo local, com deslocamento anterior do seio transverso e apagamento de sulcos occipitais. A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) do crânio evidenciou volumosa formação expansiva de partes moles na região occipital com sinais de invasão intracraniana e a angiorressonância indicou densa vascularização da massa. A paciente foi internada para elucidação diagnóstica, com adenomegalia cervical posterior bilateral. Realizou-se Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) da tumoração occipital e de gânglios cervicais, com visualização de células de Reed- Sternberg. A partir daí, foi iniciado estadiamento: TC cervical que evidenciou acometimento de todas as cadeias infra-hióideas bilaterais (IIA, IIB, III, IV, VA, VB); TC de tórax: timo com dimensões aumentadas, linfonodomegalia hilar à direita e nódulo pulmonar (no lobo superior esquerdo) de 0,9 cm; TC de abdome revelou esplenomegalia com aumento da massa esplênica para 10,0 x 9,4 cm. Os exames laboratoriais apontaram anemia hipocrômica microcítica leve (hemoglobina: 9,4 g/dl; hematócrito: 30,4%; VCM = 76,9 fl; HCM: 23,9 pg; ferro sérico: 21 µg/dl; ferritina: 76 µg/L), com leucocitose neutrofílica (leucócitos: 14.000; neutrófilos 87%). Demais exames (VHS, DHL, plaquetas, ácido úrico) se encontravam normais. A exérese de gânglio de região cervical indicou pela imuno-histoquímica as seguintes características: complexo/HRP, com pesquisa de antígenos: LCA-PAN-TPAN-B-CD 15 - CD 30, que resultou em: LCA - negativo nas células neoplásicas; PAN-B - negativo nas células neoplásicas; PAN-T - negativo nas células neoplásicas; CD 15 - positivo focal CD 30 – positivo. A história clínica descrita trata-se de provável:

Alternativas

  1. A) Linfoma não Hodgkin.
  2. B) Linfoma de Hodgkin.
  3. C) Amiloidose. 
  4. D) Mieloma múltiplo.
  5. E) Leucemia linfocítica crônica.

Pérola Clínica

Células de Reed-Sternberg + CD15+ CD30+ (LCA-, PAN-B-, PAN-T-) = Linfoma de Hodgkin.

Resumo-Chave

O caso clínico descreve uma paciente jovem com linfadenopatia generalizada, lesões ósseas e viscerais, e a presença de células de Reed-Sternberg na biópsia, com perfil imuno-histoquímico CD15 positivo e CD30 positivo, e negatividade para marcadores de linfócitos B e T (LCA, PAN-B, PAN-T). Essa combinação é patognomônica do Linfoma de Hodgkin.

Contexto Educacional

O Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia linfoide que se origina de linfócitos B, caracterizada pela presença de células de Reed-Sternberg (CRS) e suas variantes em um infiltrado inflamatório reativo. É mais comum em dois picos de idade: adultos jovens (15-35 anos) e idosos (>55 anos). A apresentação clínica clássica inclui linfadenopatia indolor, geralmente cervical ou mediastinal, e sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso). O diagnóstico definitivo do LH é feito por biópsia de linfonodo ou tecido afetado, com a identificação das CRS e a análise imuno-histoquímica. As CRS são tipicamente positivas para CD15 e CD30, e negativas para marcadores de linfócitos B (CD20) e T (CD3), além de LCA (CD45). O estadiamento é crucial para definir o tratamento e o prognóstico, utilizando a classificação de Ann Arbor. O tratamento do LH é altamente eficaz, especialmente nas fases iniciais, e geralmente envolve quimioterapia combinada, muitas vezes seguida de radioterapia. O prognóstico é favorável para a maioria dos pacientes, com altas taxas de cura. Residentes devem estar aptos a reconhecer os achados clínicos e patológicos que levam ao diagnóstico de LH para iniciar o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são as características morfológicas das células de Reed-Sternberg?

As células de Reed-Sternberg são grandes, multinucleadas ou com núcleo bilobulado (em "olho de coruja"), com nucléolos proeminentes e citoplasma abundante, típicas do Linfoma de Hodgkin.

Qual o perfil imuno-histoquímico clássico das células de Reed-Sternberg no Linfoma de Hodgkin?

O perfil clássico inclui positividade para CD15 e CD30, e negatividade para marcadores de linfócitos B (como CD20, CD79a) e T (como CD3), além de LCA (CD45).

Quais são os subtipos histológicos do Linfoma de Hodgkin e qual o mais comum?

Os subtipos são esclerose nodular (o mais comum), celularidade mista, rico em linfócitos e depleção linfocitária. Há também o linfoma de Hodgkin com predominância linfocitária nodular, que tem um perfil imuno-histoquímico diferente.

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