Linfadenopatia Suspeita: Diagnóstico Confirmatório de Linfoma

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 40a, apresentou febre e edema no lado esquerdo do pescoço há quatro semanas. Exame físico: linfonodos supraclaviculares esquerdos e axilares esquerdos aumentados de volume, indolores à palpação, móveis e de consistência aumentada. Fígado palpável a 2cm do rebordo costal direito, baço palpável. Exames laboratoriais: LDH=628UI/dL; sorologias: mononucleose IgG+, IgM negativa; HIV negativo; Citomegalovírus IgG +, IgM negativo; hemoculturas negativas. Radiograma de tórax normal.O EXAME QUE CONFIRMA A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Linfadenopatia persistente + febre + hepatoesplenomegalia + LDH ↑ + sorologias virais negativas → Biópsia de linfonodo para investigar linfoma.

Resumo-Chave

O quadro clínico de linfadenopatia persistente e progressiva, febre, hepatoesplenomegalia e LDH elevado, com sorologias virais negativas, é altamente sugestivo de uma neoplasia hematológica, como o linfoma. O exame confirmatório é a biópsia excisional do linfonodo afetado.

Contexto Educacional

A linfadenopatia é um achado comum na prática clínica, com causas que variam de infecções benignas a malignidades. No entanto, a presença de linfonodos aumentados de volume em regiões como a supraclavicular (especialmente à esquerda, nódulo de Virchow), associada a sintomas sistêmicos como febre prolongada, hepatoesplenomegalia e elevação de marcadores como o LDH, deve levantar forte suspeita de neoplasia hematológica, como o linfoma. A investigação inicial frequentemente inclui sorologias para descartar causas infecciosas comuns, como mononucleose, citomegalovírus e HIV. No cenário apresentado, com sorologias virais negativas e um quadro clínico progressivo e sugestivo, a próxima etapa e o exame confirmatório é a biópsia do linfonodo. A biópsia excisional (remoção cirúrgica de todo o linfonodo) é preferível à biópsia por agulha fina (PAAF) ou agulha grossa (core biopsy) para o diagnóstico de linfoma, pois permite a avaliação da arquitetura tecidual, essencial para a classificação histopatológica e subtipagem da doença. A PAAF, por exemplo, pode ser insuficiente para um diagnóstico definitivo de linfoma. O diagnóstico precoce e preciso do linfoma é fundamental para o planejamento terapêutico adequado, que pode incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou transplante de medula óssea, dependendo do subtipo histológico, estágio da doença e fatores prognósticos. A elevação do LDH é um fator prognóstico adverso em muitos linfomas, indicando maior agressividade da doença. A abordagem diagnóstica deve ser rápida e assertiva para otimizar os resultados do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de malignidade em uma linfadenopatia?

Deve-se suspeitar de malignidade em linfonodos persistentes (>4-6 semanas), progressivos, indolores, de consistência aumentada, fixos, ou em locais como supraclavicular. Sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) e hepatoesplenomegalia aumentam a suspeita.

Qual o papel do LDH elevado no diagnóstico de linfoma?

O LDH (lactato desidrogenase) é um marcador de proliferação celular e destruição tecidual. Níveis elevados de LDH em pacientes com linfadenopatia são sugestivos de malignidade, especialmente linfomas agressivos, e podem indicar maior carga tumoral e pior prognóstico.

Por que a biópsia excisional é o exame confirmatório para linfoma?

A biópsia excisional de um linfonodo permite a análise histopatológica completa da arquitetura do linfonodo, além de estudos imuno-histoquímicos e moleculares. Isso é crucial para diferenciar linfomas de outras condições, classificar o subtipo de linfoma e guiar o tratamento, o que não é possível com PAAF ou biópsia de agulha grossa em muitos casos.

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