CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Os dois pacientes demonstrados nas fotos a seguir apresentam a mesma doença ocular. O paciente 1 tem 38 anos e é diabético insulino-dependente. O paciente 2 tem 65 anos de idade, desconhece ter alguma doença sistêmica, porém, perdeu 8 kg nos últimos dois meses. Sobre a doença ocular é correto afirmar:
Linfoma de anexos oculares = Proliferação monoclonal de linfócitos B (frequentemente tipo MALT).
A maioria dos linfomas orbitários e de anexos oculares são linfomas não-Hodgkin de células B, apresentando-se como massas indolores de crescimento lento.
O linfoma de anexos oculares engloba tumores que afetam a órbita, glândula lacrimal, pálpebras e conjuntiva. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em adultos entre a quinta e sétima décadas de vida. A associação com doenças sistêmicas ou perda ponderal, como descrito no caso clínico, reforça a necessidade de estadiamento completo para excluir doença disseminada. A patogenia envolve a expansão clonal de linfócitos B, muitas vezes desencadeada por estímulo antigênico crônico. O tratamento varia desde radioterapia local para casos indolentes e localizados até quimioterapia sistêmica (ex: Rituximabe) em casos de doença disseminada ou tipos histológicos mais agressivos.
O tipo mais frequente é o Linfoma de Tecido Linfoide Associado à Mucosa (MALT), que é um subtipo de linfoma não-Hodgkin de células B da zona marginal. Ele representa cerca de 50% a 70% dos casos de linfomas de anexos oculares e possui um comportamento clínico geralmente indolente e de bom prognóstico.
Os pacientes costumam apresentar uma massa orbitária ou conjuntival indolor, de crescimento lento, que pode causar proptose, deslocamento do globo ocular ou ptose. Na conjuntiva, é clássica a aparência de 'mancha cor de salmão' (salmon-patch), que é uma infiltração linfoide subconjuntival rosada e lisa.
A biópsia é fundamental para o diagnóstico definitivo e para a imunofenotipagem. Através da imuno-histoquímica, confirma-se a monoclonalidade da proliferação (geralmente linfócitos B expressando CD20) e excluem-se processos inflamatórios reacionais (pseudotumores) que apresentam infiltração policlonal.
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