FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Jovem, 17 anos de idade, procurou atendimento devido a abaulamento na região cervical há 6 meses, com crescimento progressivo no período. Refere ainda episódios de febre diária, sudorese e emagrecimento no último mês. Nega outros antecedentes ou hábitos e vícios. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta para o caso?
Linfonodomegalia cervical + sintomas B em jovem → suspeitar linfoma, indicar biópsia.
A presença de linfonodomegalia cervical progressiva em um adolescente, acompanhada de sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso), é altamente sugestiva de linfoma. A conduta diagnóstica padrão ouro é a biópsia excisional do linfonodo para análise histopatológica.
A linfonodomegalia cervical é uma queixa comum na pediatria e na clínica médica, mas em adolescentes, especialmente quando associada a sintomas sistêmicos, exige uma investigação cuidadosa. O linfoma, tanto Hodgkin quanto não Hodgkin, é uma das neoplasias mais comuns em jovens e deve ser sempre considerado. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para iniciar o tratamento adequado e melhorar o prognóstico, que é geralmente bom quando a doença é identificada em estágios iniciais. A fisiopatologia do linfoma envolve a proliferação descontrolada de linfócitos, resultando em aumento dos linfonodos. Os 'sintomas B' (febre, sudorese noturna, perda de peso) são manifestações sistêmicas da doença, frequentemente associadas à liberação de citocinas. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e exame físico, que revela linfonodos aumentados, indolores e de consistência elástica ou endurecida. A suspeita é reforçada pela presença dos sintomas B e pelo crescimento progressivo do linfonodo. A conduta diagnóstica definitiva para linfoma é a biópsia excisional do linfonodo afetado, que permite a análise histopatológica, imuno-histoquímica e, se necessário, molecular. Após o diagnóstico, o estadiamento da doença é realizado com exames de imagem (PET-CT, TC) e biópsia de medula óssea. O tratamento varia conforme o tipo e estágio do linfoma, incluindo quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, transplante de células-tronco. O prognóstico é geralmente favorável, mas a detecção tardia pode complicar o manejo.
Os sintomas B são febre inexplicada (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso inexplicada (>10% do peso corporal em 6 meses). Eles são importantes porque indicam atividade sistêmica da doença e são fatores prognósticos no linfoma.
A biópsia excisional (retirada completa do linfonodo) é preferível à biópsia por agulha fina (PAAF) ou grossa (BAG) porque permite uma análise histopatológica completa da arquitetura do linfonodo, essencial para diferenciar os subtipos de linfoma e outras condições.
Além do linfoma, os diferenciais incluem infecções (virais como mononucleose, bacterianas), doenças autoimunes, cistos congênitos (ex: cisto tireoglosso, cisto branquial) e outras neoplasias, embora menos comuns.
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