Linfogranuloma Venéreo: Diagnóstico e Tratamento com Doxiciclina

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 23 anos, solteira, GO e sem comorbidades, procura atendimento por dor em região inguinal bilateral e corrimento vaginal. Ao exame físico, observa-se nodulação na região inguinal direita, eritematosa, com ponto de drenagem de aspecto purulento. O exame especular mostra inflamação da cérvice com corrimento mucopurulento de orifício cervical externo. Qual das alternativas abaixo está correta sobre a hipótese diagnóstica e o tratamento?

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana; metronidazol via oral;
  2. B) Herpes vírus tipo II; aciclovir tópico;
  3. C) Sífilis primária; penicilina benzatina intramuscular;
  4. D) Linfogranuloma venéreo; doxiciclina via oral;
  5. E) Toxoplasmose sistêmica aguda; espiramicina via oral.

Pérola Clínica

Nodulação inguinal supurativa + corrimento mucopurulento cervical = Linfogranuloma Venéreo → Doxiciclina VO.

Resumo-Chave

O quadro clínico de nodulação inguinal eritematosa com drenagem purulenta (linfonodomegalia supurativa ou bubão) associado a corrimento mucopurulento cervical é altamente sugestivo de Linfogranuloma Venéreo (LGV), uma infecção sexualmente transmissível causada por sorotipos específicos de Chlamydia trachomatis. O tratamento de escolha é a doxiciclina via oral.

Contexto Educacional

O Linfogranuloma Venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por sorotipos específicos (L1, L2, L3) de Chlamydia trachomatis. Embora menos comum que outras ISTs, é crucial para residentes reconhecerem seu quadro clínico, especialmente em regiões endêmicas ou em populações de risco. A doença progride em estágios, começando com uma lesão genital primária geralmente imperceptível, seguida por uma linfadenopatia regional marcante. A fisiopatologia envolve a invasão dos linfonodos regionais pela Chlamydia, levando a uma resposta inflamatória intensa. Clinicamente, o LGV é caracterizado por adenopatia inguinal unilateral ou bilateral, que pode se tornar supurativa, formando os chamados 'bubões' que podem fistulizar. Em mulheres, a infecção pode se manifestar como cervicite, proctite ou linfadenopatia pélvica. O diagnóstico é principalmente clínico, com suporte laboratorial por testes moleculares (PCR) para Chlamydia trachomatis. O tratamento de escolha é a doxiciclina por via oral, por um período prolongado (21 dias), para erradicar a infecção e prevenir complicações como fístulas e estenoses. É fundamental rastrear e tratar os parceiros sexuais para evitar a reinfecção e a disseminação da doença. O manejo adequado do LGV é essencial para evitar sequelas crônicas e melhorar a saúde sexual da população.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do Linfogranuloma Venéreo (LGV)?

O LGV classicamente se manifesta com uma lesão genital primária transitória e indolor, seguida por linfadenopatia inguinal unilateral ou bilateral, que pode evoluir para supuração e formação de fístulas (bubões). Sintomas sistêmicos como febre e mal-estar também podem ocorrer. Em mulheres, pode haver cervicite ou proctite.

Qual é o agente etiológico do Linfogranuloma Venéreo e como é transmitido?

O LGV é causado pelos sorotipos L1, L2 e L3 de Chlamydia trachomatis. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual desprotegido, incluindo sexo vaginal, anal e oral, com uma pessoa infectada.

Qual o tratamento recomendado para o Linfogranuloma Venéreo?

O tratamento de escolha para o LGV é a doxiciclina, 100 mg por via oral, duas vezes ao dia, por 21 dias. Alternativas incluem eritromicina ou azitromicina em casos de intolerância ou contraindicação à doxiciclina.

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