Linfonodomegalia Pediátrica: Quando Investigar?

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 2 anos e 3 meses de idade foi levado ao ambulatório de pediatria pela mãe, pois ela está preocupada com um “caroço” no pescoço do filho, que ela notou há cinco meses. Relatou que o filho é bastante ativo, que se alimenta bem, sempre ganhou peso, mas fala pouco e palavras difíceis de compreender. Ademais, há muito tempo apareceram alguns machucados no couro cabeludo dele, que o menino coça bastante e tem algumas crostas. Ao exame físico, constataram-se altura = 90 cm (escore z 0), peso = 12,300 kg (escore z entre 0 e -2), FC = 120 bpm, FR = 26 irpm e SatO2 = 97% em AA. No couro cabeludo, há várias lesões com crostas melicéricas e presença de linfonodo retroauricular medindo 1,5 cm, móvel, fibroelástico, indolor à palpação. Observaram-se oroscopia, dentes em bom estado, sem lesões, sem frênulo lingual, otoscopia, com membrana timpânica translúcida, sem abaulamentos ou retrações e ausculta cardíaca, BNF, RR, 2t, sem sopro. Verificaram-se, ainda, ausculta pulmonar, MVUD, sem RA, abdome, RHA+, depressível, sem megalias, indolor à palpação e genitália com testículos em bolsa escrotal e fimose. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Sempre se deve solicitar USG para descartar malignidade de linfonodos maiores de 1 cm.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Linfonodo > 1cm em criança com características benignas (móvel, fibroelástico, indolor) e causa aparente (infecção) NÃO exige USG de rotina para malignidade.

Resumo-Chave

A avaliação de linfonodos em crianças deve considerar características clínicas (tamanho, consistência, mobilidade, dor), tempo de evolução e presença de infecções adjacentes. Um linfonodo > 1cm não indica automaticamente malignidade ou necessidade de USG, especialmente se benigno e reacional.

Contexto Educacional

A linfonodomegalia em crianças é uma queixa comum na pediatria, e a maioria dos casos representa uma resposta benigna a infecções. A avaliação clínica é crucial, considerando a idade do paciente, localização, tamanho, consistência, mobilidade, sensibilidade e a presença de sintomas sistêmicos ou infecções adjacentes. Linfonodos retroauriculares, como no caso, são frequentemente reacionais a infecções do couro cabeludo ou orelha. Linfonodos com características de benignidade (móveis, fibroelásticos, indolores, com menos de 2-3 cm e associados a um foco infeccioso) geralmente não requerem investigação adicional imediata, como ultrassonografia ou biópsia. O acompanhamento clínico é a conduta inicial. A presença de lesões crostosas melicéricas no couro cabeludo do paciente sugere impetigo ou outra dermatite infecciosa, que pode justificar a linfadenopatia reacional. A solicitação de ultrassonografia para descartar malignidade não é universalmente indicada para linfonodos maiores de 1 cm, especialmente se as características clínicas sugerem benignidade. A investigação para malignidade é reservada para linfonodos com características suspeitas (fixos, endurecidos, crescimento rápido, ausência de foco infeccioso, sintomas B) ou que persistem por longos períodos sem melhora, apesar do tratamento da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais características de um linfonodo sugerem benignidade em crianças?

Linfonodos benignos em crianças são tipicamente móveis, fibroelásticos, indolores à palpação e podem estar associados a infecções próximas. O tamanho pode variar, mas a presença de um foco infeccioso (como impetigo no couro cabeludo) é um forte indicativo de reatividade.

Quando a ultrassonografia de linfonodos é indicada em pediatria?

A ultrassonografia é indicada quando há suspeita de malignidade, como linfonodos fixos, endurecidos, indolores, de crescimento rápido, ou na ausência de um foco infeccioso aparente. Também pode ser útil para guiar biópsias ou avaliar abscessos.

Quais são as causas mais comuns de linfadenopatia cervical em crianças?

As causas mais comuns são infecciosas e reacionais, como infecções virais (adenovírus, EBV, CMV), bacterianas (estreptococos, estafilococos, micobactérias) e doenças arranhadura do gato. Linfonodos retroauriculares frequentemente reagem a infecções do couro cabeludo, como impetigo ou tinea capitis.

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