Linfadenite Mesentérica Pediátrica: Diagnóstico e Diferenciais

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 7 anos de idade foi levado à unidade de pronto atendimento com queixa de dor abdominal intermitente há 48 horas, localizada no quadrante inferior direito. Não apresentou febre, porém estava mantendo a temperatura de cerca de 37,5 ºC nas últimas 24 horas. Durante a anamnese, a genitora informou que, há 10 dias, o enfermo havia apresentado quadro de gastroenterite aguda por 72 horas (doença autolimitada). Ao exame físico, o sinal de Blumberg era negativo, mas observava-se expressão de dor abdominal à palpação profunda de todo o quadrante inferior à direita. Foram realizados exames laboratoriais e ultrassonografia de abdome, a qual descartou a possibilidade de apendicite aguda e mostrava a presença de linfonodos aumentados de volume nessa topografia.Nesse caso clínico, a principal hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) divertículo de Meckel.
  2. B) linfadenite mesentérica.
  3. C) pancolite.
  4. D) colecistite aguda

Pérola Clínica

Dor abdominal QID em criança pós-gastroenterite com linfonodos mesentéricos aumentados na USG → linfadenite mesentérica.

Resumo-Chave

A linfadenite mesentérica é uma causa comum de dor abdominal em crianças, frequentemente mimetizando apendicite aguda. É caracterizada por dor abdominal, geralmente no quadrante inferior direito, após uma infecção viral ou bacteriana (como gastroenterite), e o diagnóstico é suportado pela ultrassonografia que mostra linfonodos mesentéricos aumentados sem sinais de apendicite.

Contexto Educacional

A dor abdominal é uma das queixas mais comuns na pediatria, e seu diagnóstico diferencial pode ser desafiador. A linfadenite mesentérica é uma condição inflamatória dos linfonodos do mesentério, frequentemente desencadeada por infecções virais (como adenovírus) ou bacterianas (como Yersinia enterocolitica) que afetam o trato gastrointestinal. É mais comum em crianças e adolescentes e pode mimetizar condições cirúrgicas agudas, como a apendicite. Clinicamente, a linfadenite mesentérica apresenta-se com dor abdominal, que pode ser difusa ou localizada, frequentemente no quadrante inferior direito, o que leva à confusão com apendicite. Outros sintomas podem incluir febre baixa, náuseas, vômitos e diarreia, muitas vezes precedidos por um quadro de gastroenterite ou infecção respiratória superior. Ao exame físico, a dor à palpação pode ser difusa ou localizada, mas geralmente não há sinais de irritação peritoneal como o Blumberg positivo. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a ultrassonografia abdominal é crucial para confirmar a presença de linfonodos mesentéricos aumentados (geralmente múltiplos, com mais de 5 mm no menor eixo) e, mais importante, para excluir outras causas de dor abdominal, como apendicite aguda, intussuscepção ou diverticulite de Meckel. O tratamento é de suporte, com analgésicos e hidratação, pois a condição é autolimitada e geralmente resolve-se em poucos dias ou semanas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da linfadenite mesentérica em crianças?

Os sintomas incluem dor abdominal intermitente, geralmente no quadrante inferior direito, febre baixa ou ausente, náuseas, vômitos e diarreia. Frequentemente, há um histórico recente de infecção do trato respiratório superior ou gastroenterite.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da linfadenite mesentérica?

A ultrassonografia abdominal é a ferramenta diagnóstica mais útil, mostrando linfonodos mesentéricos aumentados (geralmente > 5-10 mm no menor eixo) na região ileocecal, sem sinais de apendicite aguda ou outras causas de dor abdominal.

Qual a principal diferença entre linfadenite mesentérica e apendicite aguda em crianças?

Embora ambas causem dor no QID, a linfadenite mesentérica geralmente tem um curso mais benigno, com dor intermitente, febre mais baixa e Blumberg negativo. A apendicite aguda cursa com dor progressiva, febre mais alta, Blumberg positivo e sinais inflamatórios na USG.

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