Linfadenite Granulomatosa: Diagnóstico e Causas Infecciosas

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menino de 7 anos com febre e linfonodomegalia à direita, desde a cadeia epitroclear até subclavicular, com sinais flogísticos evidentes. AP: família com animais de estimação (cachorro e gatos). Durante biópsia excisional, notou-se presença de material purulento drenando do linfonodo. Anatomopatológico: linfadenite supurativa com granulomas. O contexto clínico-morfológico é

Alternativas

  1. A) de doença linfoproliferativa neoplásica, sendo importante a imunofenotipagem para descartar linfoma de Hodgkin, uma vez que há granulomas.
  2. B) de lúpus eritematoso sistêmico ou toxoplasmose, sendo dispensáveis pesquisas de fungos e bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) por colorações histoquímicas.
  3. C) de doença infecciosa e as pesquisas de bactérias e fungos, por colorações histoquímicas, devem ser realizadas e, eventualmente, complementadas com técnicas de biologia molecular.
  4. D) inespecífico, com hipóteses que variam de reacional a neoplásico, sendo úteis exames sorológicos e de cultura, mas não as colorações histoquímicas.

Pérola Clínica

Linfadenite supurativa granulomatosa + exposição a animais → Investigar infecções atípicas (Bartonella, micobactérias, fungos).

Resumo-Chave

A presença de linfadenite supurativa com granulomas, especialmente em um contexto de exposição a animais, é altamente sugestiva de etiologia infecciosa. A pesquisa de agentes como bactérias atípicas (ex: Bartonella henselae), micobactérias e fungos por métodos histoquímicos e moleculares é crucial para o diagnóstico preciso e tratamento adequado, evitando diagnósticos errôneos de doenças neoplásicas ou autoimunes.

Contexto Educacional

A linfadenite granulomatosa é uma condição inflamatória dos linfonodos caracterizada pela formação de granulomas, agregados de macrófagos e outras células inflamatórias. Embora possa ter causas não infecciosas (sarcoidose, doenças autoimunes), a etiologia infecciosa é a mais comum, especialmente em crianças. A compreensão de seu diagnóstico diferencial é crucial para o residente, pois a apresentação clínica pode ser variada e mimetizar outras condições. O diagnóstico da linfadenite granulomatosa baseia-se na biópsia do linfonodo afetado, que revela a histopatologia característica. Em casos de suspeita de infecção, como em pacientes com exposição a animais (doença da arranhadura do gato por Bartonella henselae) ou em regiões endêmicas, a pesquisa de micobactérias (BAAR), fungos e outras bactérias por colorações especiais e cultura é fundamental. Técnicas de biologia molecular, como PCR, podem complementar o diagnóstico, aumentando a sensibilidade e especificidade na identificação do patógeno. O tratamento é direcionado à causa subjacente. Em infecções bacterianas, antibióticos específicos são empregados. Em casos de micobacterioses ou fungos, terapias antifúngicas ou antituberculostáticas são necessárias. A falha em identificar a etiologia pode levar a tratamentos inadequados ou desnecessários, ressaltando a importância de uma investigação diagnóstica completa e sistemática.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de linfadenite granulomatosa em crianças?

As principais causas incluem infecções por Bartonella henselae (doença da arranhadura do gato), micobactérias atípicas, fungos (histoplasmose, esporotricose) e, menos comumente, tuberculose.

Qual a importância da biópsia excisional no diagnóstico da linfadenite?

A biópsia excisional permite a análise histopatológica detalhada, identificando a presença de granulomas e supuração, além de possibilitar a realização de colorações especiais e técnicas moleculares para identificar o agente etiológico.

Como diferenciar uma linfadenite infecciosa de uma linfoproliferação neoplásica?

A diferenciação se baseia na correlação clínico-patológica. A presença de granulomas e supuração favorece infecção, enquanto a imunofenotipagem e outros marcadores são essenciais para descartar neoplasias como linfomas, especialmente quando a etiologia infecciosa não é confirmada.

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