AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Homem, 68 anos, foi submetido à colectomia total por megacólon tóxico. No pós-operatório, evoluiu com choque séptico e necessidade de ventilação mecânica, terapia com drogas vasoativas e hemodiálise. Apesar de suporte intensivo, apresenta piora progressiva, com elevação na pontuação SOFA e sinais de falência hepática aguda. Diante desse cenário, a conduta mais adequada é:
Falência orgânica progressiva + futilidade terapêutica → Ortotanásia e Cuidados Paliativos.
Em cenários de irreversibilidade clínica e falência de múltiplos órgãos, a conduta ética prioriza a dignidade do paciente e a comunicação transparente com a família.
A gestão de pacientes críticos com falência de múltiplos órgãos exige um equilíbrio entre o suporte tecnológico e os princípios da bioética. Quando o escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) mostra piora progressiva apesar do suporte intensivo, a probabilidade de sobrevivência com qualidade de vida reduz-se drasticamente. Nesses casos, a continuidade de medidas como hemodiálise e drogas vasoativas em doses crescentes pode configurar distanásia. A abordagem recomendada envolve a integração precoce da equipe de cuidados paliativos. O foco desloca-se da cura para o cuidado, priorizando o controle de sintomas (dor, dispneia, ansiedade) e o suporte psicossocial à família. A documentação em prontuário de todas as discussões e decisões é fundamental para a segurança jurídica e ética da equipe assistente.
A futilidade terapêutica ocorre quando uma intervenção médica é incapaz de proporcionar benefício fisiológico ao paciente ou de atingir os objetivos terapêuticos desejados, servindo apenas para prolongar o processo de morrer (distanásia). No contexto de falência de múltiplos órgãos sem resposta ao suporte máximo, a manutenção de medidas invasivas pode ser considerada fútil, justificando a transição para cuidados focados no conforto e na dignidade.
A família atua como representante da autonomia do paciente quando este se encontra incapaz de decidir. O médico deve fornecer informações claras sobre o prognóstico e a irreversibilidade do quadro, promovendo uma decisão compartilhada. O objetivo não é transferir a responsabilidade da decisão para a família, mas sim alinhar as condutas médicas aos valores e desejos previamente expressos pelo paciente.
A ortotanásia é a morte em seu tempo natural, sem abreviação (eutanásia) e sem prolongamento artificial desnecessário (distanásia). É a prática de permitir que o processo de morte ocorra com dignidade, focando no alívio do sofrimento e na suspensão de tratamentos desproporcionais. A eutanásia envolve a ação direta para causar a morte do paciente, sendo ilegal no Brasil, enquanto a ortotanásia é ética e legalmente aceita.
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