SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Mulher, 39 anos de idade, dá entrada no Pronto-Socorro com quadro progressivo de confusão mental, dificuldade de locomoção e episódios de convulsão nos últimos 3 dias. Ao exame físico, nota-se desorientação temporal e espacial, além de paresia de membros inferiores. Realizado teste rápido para HIV reagente. O hemograma apresenta linfopenia, com 150 lifócitos/mm3. Realizou-se uma ressonância magnética de crânio que revelou lesões hiperintensas na substância branca, nas sequências T2 e FLAIR.Diante da situação-problema apresentada, indique o diagnóstico mais provável para o quadro neurológico:
Paciente HIV+ com linfopenia grave + lesões multifocais na substância branca em T2/FLAIR → Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP).
A Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) é uma infecção oportunista grave do SNC causada pelo vírus JC, comum em pacientes com imunossupressão severa, como no HIV avançado (linfopenia grave). Caracteriza-se por lesões desmielinizantes multifocais na substância branca, levando a déficits neurológicos progressivos.
A Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) é uma doença desmielinizante rara e grave do sistema nervoso central, causada pela reativação do vírus JC (John Cunningham), um poliomavírus ubíquo. A LMP ocorre quase exclusivamente em indivíduos com imunossupressão severa, sendo a infecção pelo HIV a causa mais comum, especialmente em pacientes com contagens de linfócitos CD4 muito baixas. É crucial para o residente reconhecer a apresentação clínica e radiológica para um diagnóstico precoce. A fisiopatologia envolve a reativação do vírus JC, que infecta e destrói os oligodendrócitos, as células responsáveis pela produção de mielina no SNC. Clinicamente, a LMP manifesta-se com déficits neurológicos subagudos e progressivos, como alterações cognitivas, hemiparesia, ataxia, afasia e distúrbios visuais, dependendo da localização das lesões. A ressonância magnética de crânio tipicamente revela lesões multifocais, assimétricas, hiperintensas em T2 e FLAIR na substância branca, sem efeito de massa significativo ou realce. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA do vírus JC no líquido cefalorraquidiano (LCR) por PCR. O tratamento primário para pacientes com HIV é a otimização da terapia antirretroviral (TARV) para restaurar a função imune, o que pode levar à melhora ou estabilização da doença. Não existe terapia antiviral específica contra o vírus JC. O prognóstico da LMP é geralmente ruim, com alta mortalidade e morbidade neurológica significativa.
A LMP manifesta-se com déficits neurológicos progressivos, como alterações cognitivas (confusão, desorientação), fraqueza motora (paresia), ataxia, distúrbios visuais e, menos comumente, convulsões. Os sintomas dependem da localização das lesões.
O diagnóstico da LMP é baseado na tríade de sintomas neurológicos progressivos, achados radiológicos típicos na ressonância magnética (lesões hiperintensas na substância branca em T2/FLAIR sem realce ou efeito de massa significativo) e detecção do DNA do vírus JC no líquido cefalorraquidiano (LCR) por PCR.
O tratamento principal para a LMP em pacientes com HIV é a otimização da terapia antirretroviral (TARV) para restaurar a função imune. Não há tratamento antiviral específico para o vírus JC. A recuperação imune pode levar à melhora ou estabilização da doença, mas o prognóstico ainda é reservado.
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