Leucemia Promielocítica Aguda: Complicação Mais Temida

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Homem, 35 anos, procura emergência com quadro de astenia e febre. Hemograma mostra: Hb = 7.0 g/dl; Ht = 22.0%, VCM = 98 fl; HCM = 34 pg; 12.000 leucócitos/mm³ com 80% de promielócitos; 15 mil plaquetas/mm³. Qual é a complicação mais temida dessa doença?

Alternativas

  1. A) Coagulação intravascular disseminada. 
  2. B) Síndrome de lise tumoral.
  3. C) Síndrome de leucostase.
  4. D) Infiltração de sistema nervoso central. 
  5. E) Insuficiência cardíaca.

Pérola Clínica

Leucemia Promielocítica Aguda (LPA): >20% promielócitos + trombocitopenia grave → alto risco de CIVD.

Resumo-Chave

O hemograma com 80% de promielócitos é diagnóstico de Leucemia Promielocítica Aguda (LPA), um subtipo de Leucemia Mieloide Aguda (LMA). A LPA é notória pela sua forte associação com a Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), que é a complicação mais temida e de maior risco de vida devido à liberação de grânulos pró-coagulantes pelos promielócitos anormais.

Contexto Educacional

A Leucemia Promielocítica Aguda (LPA) é um subtipo distinto da Leucemia Mieloide Aguda (LMA), classificada como M3 na classificação FAB e caracterizada pela translocação t(15;17), que resulta na fusão dos genes PML-RARα. Esta alteração genética bloqueia a diferenciação dos promielócitos, levando ao acúmulo dessas células imaturas na medula óssea e no sangue periférico. É uma emergência onco-hematológica devido à sua complicação mais temida. A fisiopatologia da LPA está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento de Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD). Os promielócitos anormais contêm grânulos ricos em fator tecidual e outras substâncias pró-coagulantes, que são liberadas na circulação, ativando a cascata de coagulação de forma descontrolada. Isso leva ao consumo rápido de fatores de coagulação e plaquetas, resultando em um estado paradoxal de trombose e hemorragia, sendo a hemorragia a manifestação mais grave e a principal causa de mortalidade precoce. O diagnóstico é feito pelo hemograma e mielograma, que revelam a presença de promielócitos atípicos. O tratamento é uma urgência e difere de outros tipos de LMA, sendo baseado no ácido all-trans retinoico (ATRA), que induz a diferenciação celular, e trióxido de arsênio (ATO), que juntos têm altas taxas de remissão. O manejo da CIVD é crucial, com suporte transfusional de plaquetas e crioprecipitado, além do início imediato do tratamento específico para a LPA.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da Leucemia Promielocítica Aguda (LPA)?

A LPA é caracterizada por anemia, trombocitopenia grave e leucocitose ou leucopenia, com a presença de mais de 20% de promielócitos atípicos no mielograma ou hemograma, frequentemente com grânulos procoagulantes.

Por que a Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é tão comum na LPA?

A CIVD é comum na LPA devido à liberação de substâncias pró-coagulantes, como o fator tecidual e enzimas proteolíticas, pelos grânulos anormais dos promielócitos, ativando a cascata de coagulação e levando ao consumo de fatores de coagulação e plaquetas.

Qual o tratamento específico para a LPA e como ele afeta a CIVD?

O tratamento específico para a LPA é o ácido all-trans retinoico (ATRA), que induz a diferenciação dos promielócitos. O ATRA, combinado com quimioterapia ou trióxido de arsênio, ajuda a controlar a CIVD ao reduzir a liberação de substâncias procoagulantes.

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