Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Homem de 49 anos é avaliado quanto à fadiga progressiva e perda de peso de 15 kg em 4 meses. A história médica é normal e ele não toma medicamentos. Ao exame físico: os sinais vitais são normais; o baço está aumentado para 17 cm. Exames de sangue: hemoglobina: 11 g/dL; leucócitos: 87.500/mm³ (neutrófilos: 87%; bastões: 2%; metamielócitos: 2%; mieloblastos: 3%; basófilos: 2%; linfócitos: 2%); plaquetas: 465.000/mm³. A biópsia da medula óssea mostra medula hipercelular com hiperplasia granulocítica e 6% de mieloblastos. A análise cromossômica e os estudos de hibridização in situ por fluorescência mostram translocação 9;22. O manejo inicial mais adequado é
LMC = Cromossomo Philadelphia (BCR-ABL) → Imatinibe (inibidor tirosina quinase) é o manejo inicial.
O quadro clínico (fadiga, perda de peso, esplenomegalia) e laboratorial (leucocitose com desvio à esquerda, plaquetose, mieloblastos <10%) são clássicos da fase crônica da LMC. A confirmação diagnóstica pela translocação 9;22 (cromossomo Philadelphia) e o gene BCR-ABL indica o uso de imatinibe como terapia-alvo.
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa caracterizada pela proliferação descontrolada de células mieloides maduras e imaturas na medula óssea e no sangue periférico. É classicamente associada à presença do cromossomo Philadelphia (Ph), uma translocação t(9;22) que resulta na formação do gene de fusão BCR-ABL. Este gene codifica uma tirosina quinase com atividade aumentada, que impulsiona a proliferação celular. Clinicamente, a LMC na fase crônica pode ser assintomática ou apresentar sintomas inespecíficos como fadiga, perda de peso, sudorese noturna e esplenomegalia. O hemograma revela leucocitose acentuada com desvio à esquerda, basofilia e, frequentemente, plaquetose. A biópsia de medula óssea mostra hipercelularidade com hiperplasia granulocítica. O diagnóstico é confirmado pela detecção do cromossomo Philadelphia ou do gene BCR-ABL. O tratamento da LMC revolucionou-se com a introdução dos inibidores de tirosina quinase (ITKs), como o imatinibe. Estes medicamentos atuam bloqueando a atividade da tirosina quinase BCR-ABL, induzindo remissões hematológicas, citogenéticas e moleculares profundas. O imatinibe é a terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes em fase crônica, com excelente taxa de resposta e melhora significativa na sobrevida.
Na fase crônica da LMC, o hemograma tipicamente mostra leucocitose acentuada com desvio à esquerda (neutrófilos, bastões, metamielócitos, mielócitos), basofilia, eosinofilia e plaquetose. A porcentagem de mieloblastos é geralmente inferior a 10%.
O cromossomo Philadelphia é o resultado de uma translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22, t(9;22), que leva à formação do gene de fusão BCR-ABL. Este gene produz uma tirosina quinase constitutivamente ativa, que é a base da patogênese da LMC e o alvo terapêutico dos inibidores de tirosina quinase (ITKs).
A LMC tem três fases: crônica, acelerada e blástica. A fase crônica é a mais comum ao diagnóstico e responde bem aos ITKs. A fase acelerada e a blástica (com >20% de mieloblastos) são mais agressivas, com pior prognóstico e requerem tratamentos mais intensivos, como ITKs de segunda geração ou transplante de células-tronco.
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