PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 45 anos apresenta-se para exame admissional, sem passado mórbido de importância. Ao exame físico, seu baço foi palpado a cerca de 4 cm abaixo do rebordo costal esquerdo, sem outras alterações. Trouxe consigo um hemograma recente com alterações muito sugestivas de leucemia mielóide crônica. Assinale a alternativa com as alterações no hemograma MAIS prováveis para esse diagnóstico:
LMC = Leucocitose acentuada + Desvio à esquerda escalonado + Basofilia.
A LMC é uma neoplasia mieloproliferativa onde há produção excessiva de células granulocíticas em todos os estágios de maturação, sem o 'hiato leucêmico' visto nas leucemias agudas.
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é o protótipo das doenças mieloproliferativas, caracterizada pela expansão clonal de células-tronco hematopoiéticas devido à atividade constitutiva da tirosina quinase BCR-ABL1. Clinicamente, os pacientes costumam ser diagnosticados na fase crônica, muitas vezes de forma incidental ou por sintomas relacionados à esplenomegalia (desconforto em hipocôndrio esquerdo, saciedade precoce). O hemograma é a peça-chave inicial: revela leucocitose frequentemente superior a 50.000/mm³, trombocitose em cerca de metade dos casos e a clássica 'imagem em espelho' da medula óssea no sangue periférico. A ausência de atipias celulares marcantes e a manutenção da maturação granulocítica são fundamentais para distinguir a fase crônica das fases mais agressivas. O tratamento revolucionou-se com os inibidores de tirosina quinase, transformando uma doença antes fatal em uma condição crônica controlável com sobrevida próxima à da população geral.
O desvio à esquerda escalonado refere-se à presença de todas as células da linhagem granulocítica no sangue periférico (mieloblastos, promielócitos, mielócitos, metamielócitos, bastões e segmentados), mantendo a proporção de maturação, ou seja, com predomínio de formas mais maduras (mielócitos e segmentados) sobre as imaturas (blastos). Diferente da leucemia aguda, onde há o 'hiato leucêmico' (presença de blastos e segmentados sem as formas intermediárias), na LMC a maturação é preservada, embora excessiva.
A presença de basofilia e eosinofilia persistentes é um achado clássico e altamente sugestivo de neoplasias mieloproliferativas, especialmente a Leucemia Mieloide Crônica. A basofilia, em particular, é um critério importante: sua elevação progressiva pode sinalizar a evolução da doença da fase crônica para a fase acelerada ou crise blástica. Em quadros de leucocitose reacional (infecções), raramente observa-se aumento de basófilos, o que ajuda na diferenciação diagnóstica.
Após a suspeita clínica por hemograma e esplenomegalia, o diagnóstico definitivo de LMC exige a demonstração da translocação t(9;22), que forma o cromossomo Philadelphia (Ph+), ou a detecção do gene de fusão BCR-ABL1. Isso pode ser feito por citogenética convencional (cariótipo de medula óssea), FISH (hibridização in situ por fluorescência) ou RT-PCR quantitativo. A identificação do BCR-ABL1 é essencial não apenas para o diagnóstico, mas também para o início do tratamento com inibidores da tirosina quinase (ex: Imatinibe).
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